Fernando Brito: JBS saindo do Brasil é desejo que o BNDES impedia

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Por Fernado Brito - no Tijolaço - 06/12/2019

A JBS, segundo a folha, monta o “pulo do boi”. Ele muge aqui, mas dá dinheiro lá fora.
Os palermas que não viam razão de ser no apoio do BNDES a que a JBS se tornasse empresa líder no mundo no mercado de carnes deveriam da uma “googlada”.
Se o fizessem, veriam que o plano da empresa em transferir sua sede para a Holanda ou Luxemburgo, sendo tributada lá pelo boi que abatia aqui não é novidade.
Aliás, não é desde que Maurício de Nassau, para recuperar seus gastos numa ponte feita durante a invasão holandesa no Recife, criou a imagem do “boi voador” para nos tirar um bom dinheiro, através de um pedágio.
Em 2016, Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES – e logo demitida, talvez por isso, por Michel Temer – vetou, com os poderes que lhe davam acordos entre o banco e a JBS firmados em troca dos empréstimos que lhe haviam sido concedidos, operação quase igual, como registrou a Folha de S. Paulo, há três anos:
O BNDES barrou a reestruturação da JBS, operação que a empresa vinha dando como certa. Com a notícia, as ações da empresa caíram 11,45% nesta quarta-feira (26), fazendo ela perder, em um só dia, quase R$ 4 bilhões do seu valor de mercado.Anunciada em maio, a mudança seria radical: a companhia teria sede na Irlanda, domicílio fiscal no Reino Unido e ações na Bolsa de Nova York. A operação brasileira passaria a ser uma das subsidiárias da JBS Foods Internacional.
O crédito e os aportes de capital eram – e deveriam continuar a ser – os mecanismos de preservação no país de empresas de mercado global. Os descerebrados minions dizem nas redes que a JBS “mamou” nos empréstimos que recebeu em troca de ações da empresa e agora quer ir embora do país não enxergam o óbvio: eles fizeram parte de um esforço para fazê-las permanecer aqui.
Este rapaz de baladas que puseram à testa do BNDES, com seus planos de fazer o BNDES livrar-se a todo custo das participações acionárias de que dispõe – e com elas, dos poderes que possui – reabriu as porteiras. É fácil arranjar capital para comprar o que o BNDES vende assim, na bacia das almas.
E o boi vai voar para as “orópias”, como voou para os EUA no caso da Embraer.
E vamos neste ritmo de boiada: lá fora se ganha dinheiro, aqui a gente só pasta.

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