sexta-feira, 20 de julho de 2018

Triângulo amoroso: petróleo venezuelano é pago com arroz brasileiro bancado pela China

Plantação de arroz no Rio Grande do Sul
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Sputnik Brasil - 20/07/2018

Em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos, o país de Nicolás Maduro tem que encontrar meios de garantir a venda de seus produtos bem como a importação de itens essenciais para o povo venezuelano.
Um desses artifícios usados pelo governo venezuelano envolve diretamente o Brasil. Para garantir a venda do petróleo, principal produto exportado pelo país, A Venezuela usa o arroz brasileiro como moeda de troca com a China.
O esquema entre China, Brasil e Venezuela funciona da seguinte maneira. O país de Nicolás Maduro vende petróleo para a China, que por sua vez paga para o Brasil, mais precisamente aos produtores de arroz brasileiros, que importam o alimento para a Venezuela. Ou seja, o petróleo venezuelano é vendido para China e a Venezuela recebe como pagamento o arroz brasileiro.

Dessa maneira o nosso vizinho garante o abastecimento do país e ainda por cima consegue vender o petróleo. Antes disso os venezuelanos importavam arroz dos Estados Unidos.
José Augusto de Castro,  presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), disse que esse tipo de operação é recorrente no comércio internacional e não é ilegal.
"Nada impede que eu mande a mercadoria para um país e um terceiro país pague a importação. Não tem nada de anormal e de errado nessa transação. A Venezuela tem que vender muito petróleo para a China porque ela tem um empréstimo recebido da China e as condições de pagamento desse empréstimo são através do petróleo. Então é provável que ela destine uma parte do produto para vender", comentou à Sputnik Brasil.
Segundo números do próprio mercado, as vendas de arroz devem superar as 500 mil toneladas. No ano passado as importações do cereal brasileiro ao país vizinho somaram apenas 7.759 toneladas.
O alto crescimento ajuda a compensar a crise vivida pelo mercado interno brasileiro. Com queixas a respeito do alto custo de produção e da falta de reação dos preços, as receitas do setor deverão ser as menores em três décadas.
José Augusto de Castro disse que isso faz com que o produtor de arroz brasileiro garanta que o seu produto seja pago e que o produtor não tenha nenhum tipo de calote.
"Se você descobre uma alternativa de receber o valor de exportação, não há porque deixar de vender, quem exporta o arroz ou quaisquer dos outros produtos da Venezuela são empresas privadas que querem fazer negócio e ter lucro", afirmou.
A estimativa da  Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) dá conta de que o volume de sobra de safra seja de apenas 321 toneladas, suficiente para dez dias.
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