Moro não responde se usa a agência da esposa, sócia de Zucolotto, para receber cachê

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 A Agência Pública divulgou reportagem nesta semana revelando um elo entre a agência de palestras de Carlos Zucolotto e Rosângela Moro com um advogado que defendeu os procuradores da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima e Januário Paludo. Na mesma matéria, o juiz Sergio Moro não quis "esclarecer" os detalhes de sua relação com a agência, ou seja, se ele recebe ou não chachê por seus eventos nacionais e internacionais por meio da empresa da esposa.
 
A agência HZM2 Cursos e Palestras, criada em janeiro de 2018, foi revelada pela imprensa no dia 8 de julho, mas a notícia acabou sendo abafada pela guerra em torno do habeas corpus do ex-presidente Lula, naquele mesmo domingo.
 
Zucolotto é o padrinho de casamento de Moro e foi acusado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, réu na Lava Jato, de cobrar 5 milhões de dólares em propina para "melhorar" um acordo de delação premiada com os procuradores de Curitiba. O GGN abordou o caso na série sobre a indústria da delação premiada.
 
 
A Agência Pública revelou, agora, que a sede da agência e o escritório de advocacia de Zucolotto (onde Rosângela também já foi sócia, mas desvinculou-se com a Lava Jato em andamento) é o mesmo prédio onde está o escritório de Vicente Paula Santos, advogado dos procuradores Santos Lima e Paludo. Além disso, os escritórios de Zucolotto e Vicente divulgam o mesmo número de telefone na internet.
 
"De acordo com dados da Receita Federal, na rua Nilo Peçanha, 897, no bairro Bom Retiro, em Curitiba, funcionam três empresas: HZM2 cursos e palestras , Zucolotto Sociedade de Advogados  e o escritório de advocacia Vicente Paula Santos Advogados Associados", informou. 
 
A matéria, inclusive, cita as ações que Vicente defende em nome dos procuradores ao menos desde 2000, evidenciando a relação de longa data.
 
A AP também fez um levantamento e identificou que Sergio Moro, desde que virou estrela na Lava Jato, realizou 22 cursos e palestras no Brasil e exterior apenas entre janeiro de 2017 e julho deste ano. A reportagem tentou, mas não conseguiu obter detalhes sobre os cachês e quem eram os contratantes.
 
Procurado para "esclarecer a sua relação com a HZM2, uma vez que ele é muito requisitado como palestrante no Brasil e no exterior", Moro não quis confirmar se usa ou não a agência da esposa para receber cachês desde janeiro. Ele limitou-se a dizer que as perguntas são "meramente especulativas e que partem de um pressuposto equivocado".
 
"Os procuradores, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Paraná, afirmaram à reportagem que o advogado Carlos Zucolotto compunha a sociedade de advogados com Vicente Paula Santos até 2012, atuando na área trabalhista, e nunca participando efetivamente de qualquer processo judicial que envolva os procuradores. Além disso, eles informaram que nenhum dos membros da força-tarefa da Lava Jato possui ou já possuiu relacionamento pessoal ou profissional com o advogado Carlos Zucolotto Jr", acrescentou a Pública.
 
Além de Zucolotto e Rosângela, participam do quadro societário da HZM2 o advogado Guilherme Henn (sócio do escritório de Zucolotto) e o professor de Direito Fernando Mânica, "que atua também no ramo de consultoria para celebração de parcerias público-privadas."

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