quinta-feira, 10 de maio de 2018

Face mais civil da ditadura, Figueiredo autorizou execuções, com conhecimento de Geisel

VIOMUNDO - 10/05/2018
Foto Wikipedia
Washington, April 11, 1974
Decisão do presidente brasileiro Ernesto Geisel de continuar com execuções sumárias de subversivos perigosos sob certas condições
1. [1 parágrafo (7 linhas) não desclassificado]
2. No dia 30 de março de 1974, o presidente brasileiro Ernesto Geisel encontrou o General Milton Tavares de Souza (chamado Milton) e o General Confucio Danton de Paula Avelino, respectivamente o atual e o futuro chefe do centro de inteligência do Exército (CIE). Também estava presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI).
3. O general Milton, que foi o que mais falou, descreveu o trabalho do CIE contra alvos de subversão interna durante o governo do ex-presidente Emilio Garrastazu Médici. Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista. Neste sentido, o General Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria tinham sido sumariamente executadas pelo CIE durante o último ano. Figueiredo apoiava esta política e sugeriu sua continuação.

4. O Presidente, que comentou sobre a seriedade e os aspectos potencialmente prejudiciais desta política, disse que gostaria de estudar a matéria durante o fim de semana antes de chegar a uma decisão se deveria ou não continuar. No dia primeiro de abril, o Presidente Geisel disse ao General Figueiredo que a política deveria continuar, mas que grande cuidado deveria ser tomado para ter certeza de que apenas subversivos perigosos fossem executados. O Presidente e o General Figueiredo concordaram que quando o CIE prendesse uma pessoa que se enquadrasse nesta categoria, o chefe do CIE deveria consultar o General Figueiredo, que deveria aprovar antes que a pessoa fosse executada. O Presidente e o General Figueiredo também concordaram que o CIE deveria se dedicar quase totalmente à subversão interna, e que as ações do CIE deveriam ser coordenadas pelo General Figueiredo.
5. [1 parágrafo (12½ linhas) não desclassificado]
6. Uma cópia deste memorando vai ser oferecida ao secretário de Estado assistente para assuntos interamericanos. Nenhuma outra distribuição está sendo feita.
W.E. Colby
PS do Viomundo: Figueiredo posteriormente foi escolhido para suceder Geisel e comandar a “abertura lenta, gradual e restrita” da ditadura, a andar de braços dados com Roberto Marinho. Fica a pergunta: quem era o agente da CIA, que repassou a informação a Colby? Estava na sala?
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