Movimentações de Rodrigo Maia e Aldo Rebelo dão sinais de que Temer pode cair

CRISE POLÍTICA
Nos corredores da Câmara, deputados apontam alguns indícios que poderiam revelar um clima de conspiração contra o presidente. Presente a jantar da senadora Kátia Abreu na terça, deputado diz que reunião “efetivamente discutiu a sucessão de Temer”

por Eduardo Maretti, da RBA publicado 06/10/2017

ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Temer e Maia
Segundo interpretações em Brasília, se sentir que tem chance, Maia pode aceitar conduzir transição
São Paulo – As perspectivas do presidente Michel Temer e suas eventuais dificuldades para vencer na Câmara dos Deputados a votação da segunda denúncia do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda são incertas. Deputados da oposição avaliam que Temer ainda está em vantagem e tem a maioria, embora com mais dificuldades para derrubar a peça acusatória do que em 2 de agosto, quando derrotou a oposição com 263 votos contra 227.
Porém, nos corredores da Câmara, reservadamente, deputados consideram que alguns indícios podem apontar para uma surpresa. Um deles é a movimentação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que estaria dando sinais significativos. Segundo essa avaliação, se sentir que tem chance, “Maia pode entrar no jogo para valer” e aceitar ser o condutor da transição, disse um deputado à reportagem. 
De acordo com essa interpretação, Maia estaria sondando suas possibilidades de arregimentar votos suficientes para derrotar o presidente. Em caso positivo, ele poderia de fato se aventurar. Mas seu risco é muito grande. De qualquer modo, a movimentação do presidente da Câmara e primeiro nome na linha sucessória é perceptível. Sinal claro foi sua presença no jantar oferecido pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) na terça-feira (3).

Um deputado que esteve presente à reunião afirma que o jantar serviu “efetivamente para discutir a sucessão de Temer”. Para esse deputado, ao participar do jantar, Rodrigo Maia admite que está no jogo para comandar a transição, se as condições o favorecerem.
Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) afirmou que, no jantar, vários parlamentares da base do governo relataram as dificuldades que estão encontrando na relação com o Planalto. “O que uniu todo mundo lá é o reconhecimento da grave crise institucional que nós vivemos", afirmou Vanessa. 
Outro indício importante contra o futuro de Temer como presidente é a postura do ex-ministro Aldo Rebelo, que, depois de 40 anos no PCdoB, resolveu se filiar ao PSB. Essa mudança, segundo deputados ouvidos pela reportagem, não se dá por acaso e já apontaria na direção de que Temer pode estar com os dias contados. Até porque Aldo Rebelo sustenta um discurso de apoio ao presidente da Câmara, além de ter bom trânsito entre várias correntes do Congresso, à direita e à esquerda.
Há duas semanas, o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, analisando a conjuntura política, lembrou que havia em Brasília duas correntes sobre o destino da segunda denúncia de Janot. Para a corrente majoritária, Temer deve vencer e, segundo a maioria, com votação ainda mais fácil do que na primeira. Na ocasião, Caldas chamou a atenção para o comportamento de Rodrigo Maia, que é “a pessoa mais importante nesse momento a acompanhar e é a chave do processo”, segundo o analista. “Se essa visão minoritária prevalecer, à qual me filio, Maia vai começar a minar o presidente Temer”, previu.
Já para o cientista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Maia poderia até ter desempenhado o papel de líder da transição, mas esse momento, em sua opinião, já passou, junto com a primeira denúncia. “A chance dele foi lá atrás. Ele não tem condições políticas de fazer qualquer movimento contra o governo no momento.”

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