terça-feira, 1 de agosto de 2017

Presença do aiatolá Mohsem Araki no Brasil, forte reação dos sionistas e um boicote nulo

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Parstoday - 30/07/2017

"A Federação Israelita do Estado de São Paulo repudia a vinda do aiatolá Mohsen Araki ao Brasil, diz uma nota divulgada pela entidade judaica.

Esta semana muito se falou sobre a visita do Aiatolá Mohsen Araki ao Brasil, para a participação em um congresso em São Paulo, que ocorrereu no dia 29 em São Paulo , e que visa tratar sobre a ameaça mundial do terrorismo. Mohsen Araki, juntamente com outras dezenas de convidados de todo o mundo, e principalmente do Brasil, foi um dos que discutiu e apresentou o Islã combatente ao terrorismo, que grande parte da mídia e estudiosos, não somente do Brasil como do mundo, parece ignorar ou desacreditar que exista. A prova disto é a forma como algumas organizações, veículos de mídia e até mesmo “representantes do povo” se engajaram em uma campanha para atacar e condenar o que nitidamente pouco conhecem, utilizando-se de acusações sem sentido real e de uma estratégia de instigação ao pavor. Não seria isto terrorismo psicológico? E porque é tão difícil deixar de associar o Islã ao terrorismo?

Mohsen Araki, o grande foco destes ataques, simplesmente por ser uma alta liderança religiosa do Islã, é um renomado professor com participação em atividades educacionais e sociais por todo o globo, principalmente na Europa. Mas no Brasil se tornou alvo de alguns setores justamente por ser um aiatolá, por ser originário de um país muçulmano, e principalmente, por ter posição contrária ao sionismo. Talvez esteja aqui, neste último ponto, a grande razão para o início dos ataques, que chegam a pedir que sua vinda ao Brasil seja impedida. O que é absurdo e não passa de uma histeria, já que apuramos que o mesmo é um convidado no país, e não está entrando sorrateiramente como os gritos histéricos querem fazer crer. Vários intelectuais, políticos, veículos de mídia, líderes religiosos (de várias denominações religiosas) e líderes sociais participaram deste evento e encontraram-se ansiosos por debater e trocar ideias importantes sobre o tema, um tema delicado, mas que deve ser discutido abertamente por todos, para que a ameaça do terror e do radicalismo seja realmente extirpada.
Boicotar o Dialogo pela Paz
A revista Veja, uma publicação vinculada a faceta judaica pró-Israel em uma reação escreveu: “Aiatolá que prega a destruição de Israel já está no Brasil. O líder religioso xiita, que mantém conexões com o Hezbollah, desembarcou em São Paulo, líderes locais mentem sobre sua presença para evitar protestos. Veja continua: Uma das estrelas maiores da corrente xiita do Islã, o religioso veio ao Brasil para proferir uma palestra em um evento que pretende tratar do tema do terrorismo islâmico. Araki é um notório defensor da aniquilação do Estado de Israel que, segundo ele “é um tumor que precisa ser extirpado do Oriente Médio”. Desde que VEJA revelou a visita de Araki ao Brasil, uma série de autoridades e organizações manifestaram-se contrárias à visita do líder extremista.
Os anfitriões de Araki, do Centro Islâmico Arresala passaram a difundir a mentira de que Araki não viria mais ao Brasil, como forma de afastar a imprensa e protestos contra a sua visita.
Uma das pessoas que acompanham Araki é chefe da Arresala, o sheik Taleb Khazraji. O iraquiano Taleb Khazraji é outra figurinha carimbada na rede do Hezbollah na América Latina. Khazraji foi citado dos relatórios produzidos pelos investigadores do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita (AMIA), como sendo um dos interlocutores dos terroristas que explodiram a entidade em julho de 1994.
O aiatolá Araki prega que os Estados Unidos e os judeus são os responsáveis pelos problemas econômicos dos países islâmicos e das divisões existentes entre as várias correntes da religião islâmica. Em uma visita ao Líbano, ele sugeriu aos líderes do Hamas, uma união estratégica entre todos as organizações que atuam no Líbano e Palestina como forma de enfrentar o Israel, conforme publicado pela imprensa oficial iraniana.
Na semana passada, o jornal “Correio Braziliense” publicou uma reportagem, mais uma vez com base nas informações provenientes dos Estados Unidos, alega uma ligação entre o grupo de crime organizado PCC com movimento de Hezbollah do Líbano. O jornal disse:
Facção criminosa brasileira tem uma parceria comercial no tráfico de armas e drogas com a organização paramilitar libanesa, sediada em Beirute. De acordo com um relatório apresentado pela Fundação de Defesa da Democracia (FDD) — organização não governamental norte-americana que atua no combate a grupos terroristas —, o PCC, maior facção do crime organizado brasileiro, se aliou ao Hezbollah para elevar o poder financeiro. De acordo com o documento, o PCC está comprando drogas em países sul-americanos, como Paraguai e Colômbia, e repassando ao grupo que atua no Líbano. Segundo a FDD, as drogas são adquiridas por um baixo preço nas nações que fazem fronteira com o Brasil e vendidas por valor mais elevado ao Hezbollah. Além disso, a atuação central do PCC seria no contrabando de cigarros.
CONIB reage:
A presença do aiatolá Araki, teve também uma forte reação da CONIB, cujo presidente manifestou: “O Brasil tem tradição de tolerância e leis firmes contra a discriminação, qualquer que seja a sua forma, além de manter relações históricas com Israel. Por isso, exortamos às autoridades brasileiras que proíbam a pregação de um sujeito como esse, que clama pela destruição do Estado judeu e está associado a diversos grupos terroristas, inclusive os responsáveis pelos atentados contra alvos judaicos em Buenos Aires, que mataram dezenas de pessoas”, afirmou Lottenberg.
“Nós, judeus brasileiros, nos sentimos diretamente atacados ao se permitir esse tipo de pregação em nosso país e esperamos que as autoridades sejam sensíveis a isso”, acrescentou.


Reação pró-vista a Aiatolá Araki
Marcelo Buzetto, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos e Política Internacional do Centro Universitário Fundação Santo André e  autor do livro “A questão Palestina: guerra política e relações internacionais (Editora Expressão Popular), divulgou um artigo sobre a visita do aiatolá mohsen Araki ao Brasil no qual se refere: “A quais interesses econômicos e políticos estão Associados os indivíduos e organizações que estão fazendo algum barulho devido a visita do Aiatolá  Mohsen Araki ao Brasil?
Por que esses indivíduos lançam seu ódio e querem impedir a viagem de um líder político e religioso que sempre considerou países como o Brasil como um aliado na luta por um mundo de paz, justiça e autodeterminação para todas as nações.
O Aiatolá Mohsen Araki e o governo do Irã nunca ameaçaram ou colocaram em risco a vida de qualquer cidadão brasileiro.
O Irã é um país que sempre buscou, em especial após a Revolução Popular de 1979, as melhores relações com o Brasil seja do ponto de vista econômico, político  ou cultural.
Quantas vezes nos últimos anos Brasil e Irã não dialogaram na ONU visando encontrar soluções políticas e negociadas para conflitos no Oriente Médio.
“Mas ele quer a destruição de Israel!”, dizem alguns.
E o que é Israel? Segundo o grande jurista Henry Cattan, que estudou na universidade de Paris e na Universidade de Paris e na Universidade de Londres, em seu livro “A Palestina e o Direito Internacional”, o chamado “Estado de Israel” não tem nenhuma base legal para sua existência de acordo com os princípios mais elementares do direito internacional.
Israel, ou a “entidade sionista”, como dizem muitos libaneses e iranianos, é fruto de uma intervenção estrangeira realizada na Palestina entre 1897 e 1948.
Um movimento político nacionalista judaico colonialista e racista, o sionismo, ocupou pela força do dinheiro e da violência as terras da Palestina, e com apoio do imperial e com apoio do imperialismo britânico, francês e estadunidense. Esse movimento não representava – e não representa – a totalidade da comunidade judaica, por isso judaísmo é uma coisa, sionismo é outra.
Acusam o Aiatolá iraniano de querer “destruir Israel”. Por acaso a maior parte da humanidade também não quis destruir o nazismo e o regime do Apartheid na África do Sul?
Israel só existe graças a um golpe de estado organizado por grupos terroristas sionistas como Haganah, Irgun e Stern, entre outros. Esses grupos armados mataram milhares de civis palestinos, e faziam atos terroristas na Palestina dos anos 40. Ou os defensores de Israel não sabem disso?
Entre 14 e 15 de maio de 1948 esses grupos terroristas unidos deram um golpe de estado e proclamaram unilateralmente o “Estado de Israel”. Alguns vão dizer “Mas a ONU tinha aprovado em 29/11/ 1947 o Plano de Partilha da Palestina,  criando dois estados”. E qual a autoridade que a ONU tinha sobre o território da Palestina? Nenhuma.
A soberania da Palestina pertencia – e pertence – ao povo nativo daquela região, daquele território, ao povo palestino. A Palestina era uma colônia  britânica desde 1918. A retirada das tropas britânicas da Palestina em 14 de Maio de 1948 tinha que ter como resultado uma Palestina livre, Soberana e independente, onde judeus, cristãos e muçulmanos pudessem viver em paz, harmonia e com igualdade de direitos.
Mas o sionismo e o imperialismo não permitiram isso.
Israel surge como resultado da violência do terrorismo sionista,  que só em 1948 e 1949 destruiu mais de 500 vilas palestinas, matou mais de 15 mil pessoas e expulsou 750 mil homens, mulheres, crianças, idosos, que se tornaram os primeiros refugiados.
 Por acaso os defensores de Israel não se lembram disso? Leiam “A limpeza Étnica na Palestina”, do escritor israelense Ilan Pappe. Israel vem praticando uma política de genocídio, limpeza étnica e apartheid contra o povo palestino, por isso a comparação entre o regime sionista de Israel e o nazismo ou o regime do Apartheid sul-africano tem amplo  fundamento teórico e científico.
Israel era, inclusive, o principal parceiro econômico e militar do governo do apartheid na África do Sul. Será que os deputados brasileiros que são contra a visita do Aiatolá iraquiano sabem disso?
Hoje existem 7 mil presos políticos palestinos em prisões israelenses. Cerca de 240 são crianças.
Israel prendeu recentemente Khitan Saafin, da União dos Comitês de Mulheres Palestinas UPWC e da Marcha Mundial de Mulheres na Palestina. Prendeu também a deputada do Parlamento palestino e ativista de direitos humanos Khalida Jarrar.
Será que o mesmo deputado que critica a visita do Aiatolá iraniano vai fazer alguma coisa em relação a essas mulheres perseguidas e presas por Israel? Estou pagando para ver. É sempre assim, dois pesos e duas medidas.
Quando a dupla de assassinos Barack Obama e Hillary Clinton estiveram no Brasil onde estavam os críticos do Aiatolá Mohsen Araki? Afinal de contas quem contribuiu com a criação dos grupos terroristas Estado Islâmico e Exército Livre da Síria? Os EUA!!!
Em 2009 houve golpe de estado em Honduras. O terrorismo de estado tomou conta do país, com apoio do governo dos Estados Unidos.
Em 2012 Obama apoiou o golpe de estado no Paraguai. E a destruição do Iraque, do Afeganistão, da Líbia e da Síria? Nações destruídas economicamente, socialmente, politicamente, militarmente, culturalmente. Quem fez isso? Milhares de civis mortos devido à intervenção dos Estados Unidos e da OTAN nesses países.
Onde estavam esses críticos do Aiatolá Mohsen Araki? “Mas ele apoia o Hezbollah libanês!”.
Ele e a Ampla maioria da população do Líbano. Quem estuda as relações internacionais e os conflitos no Oriente Médio não pode se deixar levar pelo desconhecimento ou pelo preconceito.
O Hezbollah é uma organização política e social de defesa da soberania nacional libanesa e de assistência e ajuda à população mais pobre daquele país, nascida durante a ocupação militar israelense.
Além de manter a ocupação ilegal na Palestina Israel já ocupou as Colinas de Golan,  na Síria, já ocupou territórios do Egito  e já invadiu o Líbano.
Hezbollah é um partido político com cargos no governo do Líbano. Junto com outras forças organizou a resistência libanesa para preservar a soberania de seu país, impondo a mais contundente e vergonhosa derrota militar de Israel, em 2000 e em 2006.
Por isso o governo israelense financia,  patrocina e mobiliza pessoas,  organizações,  jornais, revistas,  jornalistas e deputados para denunciar e ser contra qualquer pessoa que desagrade seus interesses e possa revelar ao povo brasileiro a verdade sobre os conflitos do Oriente Médio.
Todos os governos e regimes existentes no mundo hoje tem seus problemas, suas falhas, suas contradições, e devem sempre ser analisados com um olhar crítico.  Tem, sem exceção. Fazer isso é uma obrigação para quem quer construir um mundo onde as relações internacionais sejam baseadas na paz na cooperação e na solidariedade entre povos e nações. Mas precisamos compreender quais são os governos que são criadores e financiadores do terrorismo, das guerras e das intervenções militares que matam milhares de civis no Oriente Médio, e esses governos são Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita, bem como os seus aliados.
O que ameaça a paz no mundo são governos que praticam e apoiam o racismo, o colonialismo, o Apartheid. Dizer que defende direitos humanos e não combater o colonialismo é uma contradição.
O governo de Israel e suas empresas que fazem a guerra no mundo compram pessoas, compram deputados aqui no Brasil, pagam viagens, convidam esses deputados para fazer palestras, pagam estadias em hotéis caros,  passagens aéreas de primeira classe, ou seja, usam da sedução para cooptar esses políticos, jornalistas e intelectuais. Sendo assim é um erro querer  impedir a visita de alguém por ter posições políticas anti-imperialistas.
Aiatolá Mohsen Araki, o povo brasileiro gostaria sim de ouvir suas palavras. O povo brasileiro gostaria sim de ouvir suas reflexões sobre paz, sobre os conflitos, sobre terrorismo, e sobre como acabar com o terrorismo e as guerras imperialistas. Nesse momento a mídia financiada pelo imperialismo e pelo sionismo tem como principais inimigos países como Síria, Venezuela e Irã. É nossa obrigação alertar os cidadãos brasileiros e lutar para que o Brasil continue fortalecendo suas relações com os povos árabe, em especial com sírios,  libaneses e palestinos, com o povo iraniano e com países que lutam contra o colonialismo em qualquer parte do planeta. Pelo fim do colonialismo e do imperialismo! Que um dia possamos ver a Palestina livre, com judeus, cristãos e muçulmanos vivendo juntos num único Estado, do Mar Mediterrâneo até o Rio Jordão.
 Aiatolá Mohsen Araki, Secretário Geral da Assembleia Mundial para Aproximação entre as Escolas Islâmicas de Pensamento, ao convite do Centro Islâmico de São Paulo(Arresalh), participou num evento intitulado ”Os muçulmanos e o Enfrentamento a Terrorismo Radical”.
Sua viagem ao Brasil desatou uma onda de críticas por parte de grupos pró-israelitas, a começar pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). "A Federação Israelita do Estado de São Paulo repudia veementemente a vinda do aiatolá Mohsen Araki, que em suas pregações segundo Fisesp conclama à destruição do Estado de Israel", diz uma nota divulgada pela entidade em 19 de julho da entidade judaica.
Este evento, que alguns resolveram tentar difamar e sabotar, é uma prova real daquilo que os muçulmanos têm tentado dizer ao mundo, que o Islã e os muçulmanos procuram a paz e o convívio pacífico com os seguidores das demais religiões, e que os conflitos e desentendimentos são fruto de desinformação, desvirtuação e em casos mais graves da instalação de um sentimento de caos e ódio que não possui raízes nos preceitos do islâmicos, e tampouco nos preceitos das demais religiões ou de qualquer pessoa que acredite na paz.
Afirmar que o Islã deseja a destruição ou a extinção do povo judaico, cristão ou de qualquer outro povo beira o absurdo e é uma ofensa aos muçulmanos que vivem em paz em praticamente todos os países do mundo, e também aos seguidores de outras religiões que vivem em paz entre os muçulmanos. O conflito não é uma regra, é uma exceção, e nos cabe conhecer as raízes verdadeiras destes conflitos e a quem os mesmos beneficiam!
Como dizem os muçulmanos… “Salam” (Paz)! Por que tem se tornado tão difícil a procura pela mesma? E cabe perguntar mais uma vez: Quem será que lucra com a guerra e o conflito?
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