quinta-feira, 13 de julho de 2017

Venezuela: Faça a economia gritar, versão 2.0

Sabotar a economia não é uma tática nova para tentar boicotar governos que dão um passo para a esquerda: Cuba, Chile de Allende, a Nicarágua sandinista. Na Venezuela, não tem sido diferente.

Por Aline Piva - no Blog Nocaute - em 12 de julho

Em certa feita, quando questionado por Henry Kissinger sobre como lidar com o governo de Salvador Allende, considerado como uma ameaça para os interesses dos Estados Unidos na região, o então presidente Richard Nixon teria respondido: “Faça a economia gritar”.

Efetivamente, desse momento em diante, a CIA desencadearia uma série de sabotagens econômicas que mais tarde levaria ao golpe de Estado que colocou no poder uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina, a ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Mais de 40 anos depois, vemos se desenrolar algo muito semelhante, agora na Venezuela.
Segundo a economista Pascualina Curcio, a sabotagem econômica (que não é novidade, mas que vem se intensificando desde que Maduro assumiu o governo) consiste basicamente de quatro eixos de ataque: inflação induzida; escassez orquestrada de alimentos, medicamentos e produtos de higiene; fuga de divisas e o contrabando de produtos que têm os preços regulados pelo governo. Assim como no Chile de Allende, o que vemos na Venezuela é uma tentativa já nem mais dissimulada de, por um lado, desgastar o tecido social do chavismo e, por outro, produzir a matriz de opinião de que o país está imerso no caos econômico.
Veja, por exemplo, as declarações do deputado opositor Juan Requenses, em palestra na Universidade da Flórida, afirmando que a guerra econômica é um passo necessário para a intervenção, ou mesmo as cartas enviadas pelo presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, pedindo aos bancos internacionais que não façam empréstimos ao país.
Do ponto de vista interno, temos visto que essa nova onda de ataques violentos da oposição é estrategicamente orientada para aprofundar o problema do desabastecimento, saqueando mercados e padarias, queimando toneladas de alimentos e bloqueando as principais vias de abastecimento do país. Não por acaso, os focos onde se registram os maiores níveis de violência nas manifestações opositoras são justamente no ocidente do país, onde se concentra grande parte da produção agropecuária.
Assim como no Chile de Allende ou na Nicarágua sandinista, a tática empregada pela oposição visa levar a sabotagem econômica a níveis intoleráveis para abrir espaço para que setores alinhados com os Estado Unidos tomem o poder. Esquecem, porém, que o povo chavista segue nas ruas defendendo o processo revolucionário, enfrentando a guerra econômica e a violência da oposição com organização popular.
Eu estava em um fórum, e um senhor me perguntava: “Juan, e se vocês paralisam a Venezuela, e o governo assim mesmo faz a Constituinte?”. Se isso acontece, o que vai acontecer nesse país é que haverá uma soberana guerra, senhores. E ele dizia, “bem, mas vocês precisam ter um plano B”. Mas então qual é o plano B? Qual é plano B? Bem, que nos invadam. Isso é atrevido. Mas para chegar a uma intervenção estrangeira temos que passar essa etapa, ou não? Isso é claro.
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