quinta-feira, 22 de junho de 2017

Opinião: ‘Acordos de Temer com a Rússia são fruto da era Lula’

Encontro com o senhor Vladimir Putin Presidente da Federação da Rússia. Visita aos Salões do Kremlin e Despedida. (ST. George Hall)
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SPUTNIK NEWS BRASIL - 22:59 - 21.06.2017

O Presidente Michel Temer concluiu nesta quarta-feira a visita de dois dias que realizou à Rússia. Em Moscou, ele disse a empresários, investidores e membros do Governo russo que seu objetivo era implementar os negócios da carne brasileira, ampliar a exportação de calçados para a Rússia e consolidar as relações entre os dois países.

Após a programação oficial cumprida nos dois dias – na terça, encontros com investidores e empresários e na quarta, audiências com o Presidente Vladimir Putin e o Primeiro-Ministro Dmitry Medvedev – Michel Temer deixou Moscou satisfeito com os resultados e deixando a Rússia convicta de que o mercado brasileiro, além de continuar recebendo os tradicionais fertilizantes russos, passará também a receber outros produtos como trigo e pescado.   
Para Diego Pautasso, professor de Relações Internacionais da Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos), no Rio Grande do Sul, especialista em estudos dos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), os resultados obtidos por Temer junto ao governo, empresariado e investidores da Rússia nada mais são do que consequência das iniciativas de um dos seus antecessores na presidência do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva:

“O fortalecimento das relações do Brasil com a Rússia tinha sido uma decisão estratégica do governo brasileiro a partir da gestão do Presidente Lula e do seu Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. A partir dali, há uma sinergia crescente e, com o advento dos BRICS, as relações [entre os dois países] se tornam bastante simbióticas depois de um longo período de afastamento entre Brasil e Rússia. Então, acho que boa parte dos acordos anunciados esta semana entre Brasil e Rússia ainda são fruto de uma certa inércia dos governos Lula e Dilma Rousseff. Mas acho também que os acordos ficaram aquém da potencialidade porque a política externa brasileira está nitidamente sem uma diretriz, sem saber exatamente quais são seus interlocutores fundamentais e suas prioridades internacionais”.
Na manhã desta quarta-feira, o presidente Michel Temer apresentou ao Primeiro-Ministro Dmitri Medvedev o Projeto Crescer, programa de parceria de investimentos do governo brasileiro. Segundo o Palácio do Planalto, Temer declarou que existem mais de 50 setores abertos a investimentos estrangeiros.
No mesmo encontro, Medvedev propôs ampliar a parceria bilateral em áreas como Segurança da Informação, Cooperação Técnico-Militar e Espacial. O Primeiro-Ministro também sugeriu que as transações comerciais entre Rússia e Brasil passem a ser realizadas nas respectivas moedas nacionais (rublo e real), deixando o dólar dos Estados Unidos de regular o comércio bilateral.
Medvedev pediu ainda Temer apoio do Brasil à candidatura da cidade russa de Ekaterimburgo para sediar a Expo 2025, exposição universal que ocorre a cada cinco anos e apresenta os novos avanços da humanidade. 
Já com o Presidente Vladimir Putin, Michel Temer assumiu o compromisso de aproximar Mercosul e Comunidade Econômica Euroasiática (o bloco formado por Rússia, Bielorússia, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão), quando o Brasil assumir a presidência do bloco sul-americano, no próximo semestre.
Durante a cerimônia de assinatura dos atos, no Palácio do Kremlin, Temer e Putin firmaram declaração conjunta na qual Brasil e Rússia manifestam posições e agendas de interesse comum relativas à política internacional.
Referindo-se a um dos memorandos, o que trata do diálogo estratégico na área de política externa, Putin disse que o documento prevê "um nível mais alto da coordenação de nossos esforços no que diz respeito ao combate a novos desafios, tais como terrorismo". O líder russo destacou ainda a defesa da "paz internacional".
Por sua vez, Temer disse que Brasil e Rússia são países conscientes de seu papel na cena internacional, motivo pelo qual têm parcerias tanto no âmbito do G20, grupo que abrange as 20 maiores economias mundiais, quanto nos BRICS. 
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