quarta-feira, 3 de maio de 2017

Base aliada diz que retaliação de Temer é um verdadeiro tiro no pé


Alan Santos/PR
  
Foram exoneradas pessoas no Ministério da Agricultura, no INSS, na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), entre outros postos. Para alguns parlamentares, o governo não está em condições de atacar a base aliada e deveria chamar os parlamentares da base para conversar e tentar encontrar saídas para atender as demandas em vez de demitir ou ameaçar demitir pessoas ligadas a esses políticos.

Para ele, a ação tem efeito contrário ao pretendido e cria um clima maior de insatisfação na base aliada, dificultando os apoios necessários para passar a reforma da Previdência na Câmara.



"Quem aconselhou o Temer a demitir, não gosta dele. Vai piorar a situação dele, porque o deputado não tem que estar com o Temer, tem que estar com o Brasil. Ele está com 8% de popularidade", disse o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) que teve seu apadrinhado, o diretor-geral do Arquivo Nacional, José Ricardo Marques, demitido após votar contra a reforma trabalhista.

O deputado disse ainda que as mudanças feitas pelo governo na reforma da Previdência até o momento não o fizeram mudar sua posição e destacou que a decisão do governo de retirar dos cargos indicados de quem votou contra a reforma só "estraga mais a imagem do Parlamento".

"É um recado que os votos que o governo consegue são em troca de cargos, não de forma consciente, pelo convencimento", disse.

Até a presidente do PTN, deputada Renata Abreu (SP), que votou pela reforma trabalhista, demonstrou incômodo diante da retaliação do governo. Segundo ela, o acerto para a indicação de cargos não foram feitos pelo partido, mas pelas bancadas dos Estados. Ela disse que não se pode "obrigar" o parlamentar a votar a favor das reformas, mas se deve buscar a convencê-los da necessidade de apoio das propostas.

Renata Abreu espera que a posição da bancada não custará a perda do comando da Funasa (Fundação Nacional de Saúde - órgão do Ministério da Saúde encarregado de promover saneamento básico) e escancara que o acordo foi feito desde a votação do impeachment.

"Foi um compromisso do impeachment e foi muito mais uma questão de composição do governo do que apoio às reformas trabalhista e da Previdência", disse. "Acredito na palavra do presidente Michel Temer, tenho certeza que isso não vai acontecer", completou.

A estratégia do governo é pressionar os parlamentares para garantir os 308 votos necessários para aprovar a Reforma da Previdência em Plenário. Na comissão especial da reforma da Previdência, que deverá votar o texto na quarta (3), o governo precisa de maioria simples dos votos do colegiado - 19 dos 37 integrantes. 


Do Portal Vermelho, com informações da Reuters
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