Moro liberta nove presos e diz que deve mandar planilha da Odebrecht ao STF

LAVA JATO
Juiz determina que nenhum dos liberados poderá deixar o país durante as investigações; sobre planilha com mais de 200 nomes, ele diz que é prematuro qualquer conclusão sobre natureza de pagamentos
por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil publicado 26/03/2016 16:29
FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL
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Moro: juiz diz que não é o caso de prorrogação das prisões e determina a expedição dos alvarás de soltura
Brasília – O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, decidiu pela liberação de nove presos temporários da  26ª fase da Operação Lava Jato, identificada como Operação Xepa. As prisões foram efetuadas no dia 22 de março. O prazo para o cumprimento vence hoje (26). Em despacho, Moro diz que não é o caso de prorrogação das prisões e determina a expedição dos alvarás de soltura.
Sérgio Moro, no entanto, determinou também que nenhum deles poderá deixar o país durante as investigações e que devem entregar os passaportes no prazo de três dias.

"Diante dos indícios de que executivos do Grupo Odebrecht foram deslocados para o exterior durante as investigações, nele obtendo refúgio, imponho como medida cautelar alternativa à prisão a proibição de que os os investigados ora soltos deixem o país", diz o despacho.
As nove pessoas presas temporariamente são investigadas por crimes que envolvem fraudes documentais. A prisão foi decidida, segundo despacho feito na época porque existia risco de ocultação, destruição e falsificação de provas. O juiz também justificou a prisão na garantia de que essas pessoas seriam ouvidas separadamente pela autoridade policial, “sem que recebam influências indevidas uns dos outros”.

Planilhas

No despacho desta sexta-feira, Moro diz ainda que vai mandar ao Supremo Tribunal Federal (STF) as planilhas apreendidas na residência do executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que  identificam pagamentos a mais de 200 políticos. A lista contém nomes de autoridades com foro privilegiado.
De acordo com o juiz, é prematura qualquer conclusão quanto à natureza dos pagamentos, se ilícitos ou não.  "Os pagamentos retratados nas planilhas da residência do executivo Benedi­cto Barbosa podem retratar doações eleit­orais lícitas ou mesmo pagamentos que não tenham se efetivado". diz Moro. "A cautela recomenda, porém, que a questão seja submetida desde logo ao Egrégio Supremo Tribunal Federal".
Os presos temporários que tiveram a liberação determinada hoje são:
- Alvaro José Galliez Novis
- Antônio Claudio Albernaz Cordeiro
- Antônio Pessoa de Souza Couto
- Isaias Ubiraci Chaves Santos
- João Alberto Lovera
- Paul Elie Altit
- Roberto Prisco Paraíso Ramos
- Rodrigo Costa Melo
- Sergio Luiz Neves

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