Diplomatas brasileiros criticam indicação de novo embaixador de Israel

Dani Dayan

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil - 
07/01/2016 13h42
Manifesto assinado por 40 embaixadores brasileiros critica a forma como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conduziu a indicação de seu novo embaixador no Brasil, Dani Dayan. Segundo a nota divulgada hoje (7), é “inaceitável” que o nome dele tenha sido anunciado publicamente antes de ser submetido ao governo brasileiro.
“Essa quebra da praxe diplomática parece proposital, numa tentativa de criar fato consumado, uma vez que o indicado, Dani Dayan, ocupou entre 2007 e 2013 a presidência do Conselho Yesha, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela comunidade internacional, e já se declarou contrário à criação do Estado Palestino, que conta com o apoio do governo brasileiro e que já foi reconhecido por mais de 70% dos países-membros das Nações Unidas”, diz o texto.
No manifesto, os embaixadores dizem esperar que a questão seja superada. "Nessas condições, apoiamos a postura do governo brasileiro na matéria e fazemos votos de que o presente episódio seja superado prontamente a fim de podermos, em conjunto, reforçar os vínculos entre os dois países num momento histórico em que o espírito de conciliação se torna imperativo"
Leia abaixo a íntegra do documento:

"Quarenta dos mais destacados embaixadores brasileiros assinaram a seguinte nota sobre Israel:
Nós, os diplomatas aposentados abaixo assinados, lembrando a memória do embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, que salvou centenas de judeus do Holocausto; orgulhosos do papel desempenhado. Nós, os diplomatas aposentados abaixo assinados, lembrando a memória do embaixador Luís Martinspelo Brasil nas Nações Unidas quando, sendo Osvaldo Aranha Presidente da Assembleia Geral, foi sancionada a criação do estado de Israel,
Consideramos inaceitável que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, haja anunciado publicamente o nome de quem pretendia indicar como novo embaixador de seu país no Brasil antes de submetê-lo, como é norma, a nosso governo. Essa quebra da praxe diplomática parece proposital, numa tentativa de criar fato consumado, uma vez que o indicado, Dani Dayan, ocupou entre 2007 e 2013 a presidência do Conselho Yesha, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela comunidade internacional, e já se declarou contrário à criação do Estado Palestino, que conta com o apoio do governo brasileiro e que já foi reconhecido por mais de 70% dos países-embros das Nações Unidas.
Nessas condições, apoiamos a postura do governo brasileiro na matéria e fazemos votos de que o presente episódio seja superado prontamente a fim de podermos, em conjunto, reforçar os vínculos entre os dois países num momento histórico em que o espírito de conciliação se torna imperativo.
Adhemar Bahadian
Amaury Porto de Oliveira
Armando Victor Boisson Cardoso
Brian Michael Fraser Neele
Carlos Alberto Leite Barbosa
Carlos Eduardo Alves de Souza
Christiano Whitaker
Edgar Telles Ribeiro
Fernando Guimarães Reis
Fernando Silva Alves
Geraldo Holanda Cavalcanti
Heloisa Vilhena de Araujo
Hildebrando Tadeu Valladares
Janine-Monique Bustani
Joaquim A. Whitaker Salles
Jorio Dauster
José Maurício Bustani
José Viegas Filho
Julio Cesar Gomes dos Santos
Luciano Rosa
Luiz Augusto de Castro Neves
Luiz Fachini-Gomes
Luiz Felipe Lampreia
Luiz Orlando Carone Gelio
Marcílio Marques Moreira
Marcio Dias
Maria Celina Azevedo Rodrigues
Oswaldo Portella
Roberto Abdenur
Ronaldo Mota Sardenberg
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Fernando Guarischi Bath
Sergio A. Florencio Sobrinho
Sergio Henrique Nabuco de Castro
Sergio Serra
Stelio Amarante
Thereza Quintella
Vera Pedrosa
Virgílio Moretzsohn de Andrade
Washington Luis P. Sousa"
Edição: Juliana Andrade

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