Mujica, Lula, a mídia e Noel Rosa: escrava dessa gente que cultiva a hipocrisia

8 de maio de 2015 | 21:03 Autor: Fernando Brito
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Durante toda a tarde de hoje, antes de tomarem um desmentido-safanão dos jornalistas  Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz, que escreveram o livro, escancararam manchetes sobre o que seria a confessada “culpa” de Lula  no caso do Mensalão, porque numa conversa com o ex-presidente brasileiro, Pepe Mujica, do Uruguai, teria ouvido dele que “neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens”.

Nada, a não ser ter 14 anos de idade ou um cinismo monumental, autoriza um jornalista a transformar em “escândalo” um desabafo que qualquer pessoa honrada que ocupou funções de governo ou mesmo em instituições privadas faria depois de viver uma década nesta posição.
Como os editores e chefes de redação da imprensa brasileira não têm 14 anos de idade, fica a segunda hipótese.
Os mecanismos de controle estatal, em muitas partes do mundo e, em escala cavalar, nos países de desenvolvimento atrasado, como o nosso, são, em regra, contaminados por “muitas coisas imorais, chantagens” e todos sabem disso.
De fiscais corruptos de posturas aos “egrégios tribunais de contas” estamos lotados de exemplos disso.
Em muitos estados, tentar aprovar “a seco” um simples edital de licitação é missão quase impossível.
No mesmo dia de hoje, os mesmos jornais publicam a exigência expressa por cargos feitas por deputados para votarem o ajuste fiscal.
E já vemos uma “corrida” de desembargadores estaduais a “exigirem” até com ações judiciais o direito que lhes dá a PEC da Bengala a trabalharem, sem um ceitil a mais, por mais cinco anos, em lugar de fruírem, com os bons rendimentos que têm, os derradeiros lustros da vida.
Nada disso escandaliza uma mídia que defende a moralidade só quando lhe serve a imorais desejos políticos.
De toda esta hipocrisia, porém, uma conclusão triste nos salta.
É impossível ser Mujica no Brasil.
Aqui, detesta-se a sinceridade e cultiva-se o cinismo.
A sociedade brasileira, guiada por sua mídia, tornou-se vítima da praga cantada por Noel Rosa, em seu “Filosofia” e segue sendo “escrava dessa gente que cultiva a  hipocrisia”.

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