Gabrielli: delatores se apropriaram privadamente dos recursos

O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli afirmou, em depoimento nesta quinta-feira (12), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na estatal, ser impossível para a Petrobras ter descoberto internamente as ações de corrupção dos ex-dirigentes da estatal Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, delatores da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ele também afirmou que esses ex-dirigentes se apropriaram privadamente de recursos da estatal. 


Agência Câmara
Gabrielli alertou para o risco de condenar a economia brasileira a uma crise mais profunda pelo comportamento de “algumas pessoas” com relação a Petrobras.Gabrielli alertou para o risco de condenar a economia brasileira a uma crise mais profunda pelo comportamento de “algumas pessoas” com relação a Petrobras.
Segundo o ex-presidente, para descobrir esse tipo corrupção foram necessárias investigações policiais. E lembrou que mesmo os escritórios especializados em investigação contratados pela Petrobras, ou as auditorias internas do Tribunal de Contas da União (TCU) não chegaram a uma conclusão sobre os processos de corrupção em contratos com a estatal.

“Os orçamentos (de contratos de empreiteira com a Petrobras) não vazaram, estavam de acordo com a realidade de mercado, não estavam com superfaturamento em sua contratação”, afirmou Gabrielli. A Petrobras admite que os valores das propostas fiquem entre 15% e 20% a mais do valor estimado para a obra.



O aumento do valor estimado para a obra foi um dos itens questionados pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras em dezembro de 2014, deputado Marco Maia (PT-RS). O relator apresentou uma proposta de novo regime de contratação para as estatais, porque, segundo ele, um dos principais problemas enfrentados na prática de corrupção na Petrobras está ligado ao regime de contratação da estatal.

Crise

Gabrielli, que falou dos avanços da estatal nos últimos doze anos em diferentes áreas como produção e refino de petróleo, disse estar preocupado com o futuro da economia brasileira com os desdobramentos da Lava Jato no setor de petróleo e gás.

“A paralisação desse setor pode impactar um milhão de postos de trabalho. Se desmontamos a cadeia de produção de petróleo e gás, teremos a substituição dos fornecedores atuais por fornecedores internacionais”, alertou.

De acordo com o ex-presidente da estatal há o risco de condenar a economia brasileira a uma crise mais profunda pelo comportamento de “algumas pessoas”, sem citar os responsáveis pelos problemas na Petrobras.

Diretores

Gabrielli afirmou ainda, em seu depoimento, que eventuais indicações para a diretoria da empresa durante a sua gestão, entre 2005 e 2012, foram feitas pelo conselho de administração, que tem maioria de componentes do governo, acionista majoritário da estatal.

A afirmação foi feita em resposta a uma pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que citou declaração do ex-diretor da estatal e um dos delatores da Operação Lava-Jato, Paulo Roberto Costa, para quem “as indicações dos nomes de diretores sempre eram políticas”.

Gabrielli disse que quando chegou à presidência da Petrobras, em 2005, os diretores já estavam escolhidos. Posteriormente, houve mudanças apenas na diretoria de gás, com a entrada de Graça Foster, e a substituição de Nestor Cerveró por Jorge Zelada, na diretoria da área internacional “com os argumentos de que a empresa precisava de perfis diferentes” nessas diretorias. Os critérios são do governo e não da diretoria da Petrobras”, disse Gabrielli.

O ex-presidente da Petrobras também negou relações pessoais com ex-diretores da empresa presos pela Operação Lava-Jato, como Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços) e Pedro Barusco (ex-gerente-executivo). Com eles, Gabrielli afirmou ter participado apenas de “reuniões estritamente profissionais”.

Do Portal Vermelho
De Brasília, com Agência Câmara

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