Bovespa fecha fevereiro com alta acumulada de 10%, maior ganho mensal em 3 anos

Por Paula Arend Laier - na Reuters
SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa fechou a sexta-feira em queda, após um pregão volátil marcado por repercussão de novas medidas fiscais, mas não impediu que o principal índice da bolsa tivesse em fevereiro o maior ganho mensal em três anos.
O Ibovespa encerrou em queda de 0,34 por cento, a 51.583 pontos, com investidores recebendo bem os sinais de comprometimento do governo com o ajuste fiscal, mas também colocando no preço potenciais efeitos nos resultados das empresas do fim de alguns incentivos fiscais. Na semana, o principal índice da bolsa paulista acumulou alta de 0,67 por cento.
Em fevereiro, o Ibovespa subiu 9,97 por cento, no maior ganho mensal desde janeiro de 2012, acumulando no ano ganho de 3,15 por cento.
O Diário Oficial da União trouxe nesta sexta-fera a elevação das alíquotas de Contribuição Previdenciária das empresas sobre receita bruta, o que na prática reduz a desoneração da folha de pagamentos. Na véspera, por decreto, o governo limitou os gastos dos órgãos federais com custeio e investimentos.
À tarde, foi publicado em uma edição extra do DOU decreto reduzindo a alíquota do programa de incentivo às exportações Reintegra para 1 por cento em 2015 e 2016, 2 por cento em 2017, voltando a 3 por cento em 2018, confirmando informação publicada mais cedo pela Reuters.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta sexta-feira que as mudanças na desoneração da folha de pagamento e no Reintegra vão gerar uma receita de 14,6 bilhões de reais ao governo neste ano.
"Hoje, o principal problema do país e das empresas é a falta de perspectiva de crescimento devido à falta de credibilidade e aos desarranjos. Se arruma o fiscal, tudo clareia", afirmou o gestor Joaquim Kokudai, sócio na JPP Capital Gestão de Recursos.
Vários papéis na Bovespa, contudo, acabaram sucumbindo na parte da tarde à pressão vendedora em razão de potenciais efeitos da elevação das alíquotas na folha de pagamento, o que acabou revertendo o viés positivo da primeira etapa do dia.
O estrategista Andrew Campbell do Credit Suisse disse em nota a clientes que a alta das alíquotas era "outro desafio às empresas brasileiras em um ano com condições já difíceis para o aumento de lucros e criação de valor, diante do crescimento fraco da economia, ajuste fiscal, aperto monetário e volatilidade cambial".
A ação da BRF caiu 3,84 por cento. A empresa foi citada por analistas como uma das potencialmente mais afetadas pela mudança na desoneração da folha, o que acabou prevalecendo sobre a divulgação do balanço da companhia na véspera. A BRF teve lucro de 991 milhões de reais no último trimestre de 2014, quatro vezes superior ao obtido um ano antes.
Ações do setor de educação também pesaram, em particular Kroton, que teve o maior recuo percentual do índice, de 9,73 por cento, com o setor voltando a sofrer com ruídos sobre o principal programa de financiamento estudantil do governo, em meio a relatos de limitações à concessão do Fies. [nE6N0UK026]
Na contramão, os papéis da Petrobras avançaram, em meio a ganhos do petróleo no mercado externo. A estatal também informou a aprovação da indicação do advogado e consultor anticorrupção Luiz Navarro para o Conselho de Administração.
Ambev, depois de subir 3,17 por cento na máxima do dia, fechou em alta de 0,22 por cento, a 18,34 reais. O Bank of America Merrill Lynch revisou estimativas após a empresa de bebidas divulgar balanço e revisou o preço-alvo de 17,7 para 19 reais, com manutenção de recomendação neutra.
(Edição de Raquel Stenzel)

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