"O projeto econômico vencedor nas urnas tem de prevalecer"

A frase do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) reflete a opinião de parte dos parlamentares do partido e da base aliada em relação à nova equipe econômica
Nova equipe econômica
Alexandre Tombini (esq), Nelson Barbosa e Joaquim Levy durante a coletiva de imprensa que apresentou a nova equipe econômica
O anúncio da nova equipe econômica do governo Dilma, nesta quinta-feira 27, confirmou os nomes que circulavam nos últimos dias. Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa assumirá o Planejamento. Alexandre Tombini seguirá no comando do Banco Central. Os nomes agradam o mercado financeiro, que espera por um ajuste fiscal e um controle mais rígido da inflação por parte do governo.

Setores mais à esquerda do PT e de outros partidos da base aliada, contudo, criticaram as nomeações. A maior discordância gira em torno do futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy, considerado um economista ortodoxo. A preocupação é que Levy imponha uma política de austeridade para atingir a meta fiscal do governo e, com isso, comprometa os recursos destinados aos programas sociais. Quando era o titular da Secretaria do Tesouro no primeiro mandato de Lula, Levy ganhou entre alguns de seus pares no governo o apelido de "mãos de tesoura", por conta de um rigor considerado excessivo no controle dos gastos públicos.
Com a confirmação do economista na pasta, o discurso, no entanto, é de respeito à decisão da presidenta e de pressão pela manutenção da política econômica defendida durante a campanha presidencial. "Nós temos a certeza de que medidas impopulares não ocorrerão na área econômica. Esse discurso pertence ao candidato derrotado nas eleições, Aécio Neves. Nosso esforço será para a implementação da política que venceu nas urnas", afirma o deputado federal Paulo Teixeira, líder da ala “Mensagem ao Partido”, a segunda maior força dentro do PT.
Embora não tenha sido assumido publicamente, a ala era o principal foco de resistência dentro do PT à nomeação de Levy para a Fazenda. Integram a ala nomes de peso na sigla, como o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Para a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ), a nova equipe econômica traz poucas novidades. "O Alexandre Tombini e o Nelson Barbosa já faziam parte do governo. O único nome novo é o do Levy. Além disso, o mais importante é que o comando da política econômica do governo é da Dilma", afirma. Segundo ela, o mais importante agora é que se mantenham os compromissos econômicos assumidos durante a campanha presidencial, como a geração de empregos, valorização dos salários e distribuição de renda.
"Esperamos que ela [Dilma] não se distancie de sua base institucional e, muito menos, de sua base social, que a elegeu. Em nosso entendimento, a eleição apresentou dois projetos distintos, que criou um cenário de polaridade, e agora não há margem para se distanciar do projeto vencedor", argumenta Feghali. "Neste projeto a meta fiscal não está acima dos direitos sociais do povo. O povo elegeu a Dilma com esse projeto e esperamos que isso seja mantido independente dos nomes da equipe econômica", completa.
'Continuidade com mudança'
O anúncio da nova equipe econômica não trouxe novidades. Nelson Barbosa, por exemplo, participou da equipe econômica do governo Lula e do governo Dilma, neste como secretário executivo do Ministério do Fazenda (2011-13). O próprio Joaquim Levy foi secretário do Tesouro nos quatro primeiros anos do governo Lula. "Todos os nomes são muito capacitados e conhecedores da estrutura do governo. Isso é muito importante e indica uma continuidade com mudança", diz o consultor econômico e professor da PUC-SP Antônio Correa de Lacerda.
Para ele, a nomeação de Levy, que possui um perfil econômico mais ortodoxo, é o elemento balanceador da equipe. "Os futuros ministros podem ser uma boa combinação política. O nome do Levy agrada o mercado financeiro, enquanto o restante da equipe e os trabalhos de transição com a equipe econômica anterior acalmam a base social e institucional do governo", analisa.
Segundo Lacerda, é esperado que a nova equipe dê prioridade ao resgate do equilíbrio fiscal das contas do governo. No entanto, isso deve ser transitório. "O principal desafio da nova equipe é o resgate da confiança do mercado financeiro através do equilíbrio fiscal. No entanto, durante o resto do mandato, essa prioridade deve voltar-se para outros indicadores como emprego e os investimentos sociais", conclui.

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