Lula, lembre Dilma que não tem mais jogo fácil no futebol nem na política

Autor: Fernando Brito
braingla
Faltam dois meses e meio para a Copa do Mundo e as metáforas de futebol na política vão começar a ser inevitáveis.
Então, começo logo com elas, a partir do comentário postado pelo Ricardo Kotscho no seu Balaio.
“Faltam apenas seis meses e cinco dias para as eleições presidenciais. Com o Marco Civil da Internet aprovado na Câmara (ainda falta o Senado) e concluída a reforma ministerial, a tendência do governo Dilma daqui para frente é fechar a defesa e tocar a bola de lado, sem arriscar grandes jogadas. O clima no Palácio do Planalto é de “no news, good news“, ou seja, se não acontecer mais nada de relevante até as eleições, já está de bom tamanho.”

Sim, poderia ser assim.
Mas no final do primeiro tempo – a Copa é o intervalo – a defesa (aliás a própria capitã do time) resolveu dar de bico na bola de qualquer maneira, no caso da compra da refinaria da Petrobras, e jogou a bola perigosamente nos pés do adversário.
Que saiu jogando ofensivamente, depois de muito tempo recuado no seu próprio campo.
Quer reduzir a vantagem ainda no primeiro tempo e entrar mais forte no segundo.
E tem, para isso, a seu lado o juiz “mídia”  e o “garoto do placar” dos institutos de pesquisa e toda a cartolagem da CBF, a Confederação Brasileira dos Financistas.
Chegar ao intervalo perdendo de três a um ou quatro a dois, neste momento, é tudo o que podem sonhar, mas é muito.
Até o pessoal que costuma patrocinar o “bicho” por uma vitória decisiva entra em campo, como a gente viu na glamourosa noite da casa-grande…
É claro que não é para desesperar, nem partir feito louco para o ataque.
Mas precisa tranquilizar a torcida, equilibrar o jogo, partir para os contra-ataques.
Essa história de ficar na retranca é fazer o adversário gostar do jogo.
Mesmo que tenhamos o melhor time, às vezes, como em 70, no jogo com a Inglaterra, fazer o que fez o Carlos Alberto Torres, que saiu de seu lugar em campo só para dar um trancaço no Lee e baixar a bola dos filhos de Albion.
Discordo em gênero, número e grau do meu querido Kotscho ao diagnosticar que “está difícil encontrar alguma notícia boa para o governo” e, assim, seria  ”melhor mesmo ficar na retranca e esperar que o tempo passe logo, sem grandes novidades”.
Nada é mais perigoso do que isso, porque o time perde a confiança, bate cabeça, irrita os torcedores , que começam a gritar o nome de quem está no banco.
Na hora de reagir, tem muito jogador que está gordinho, depois de 12 anos de contrato, e não tem mais garra.
Ninguém deve se deitar nos louros do tricampeonato conquistado.
Todos eles foram difíceis e dependeram da garra e da vontade para serem vencidos, sempre na prorrogação.
Um pouco de otimismo demais achar que o tetra viria por WO, não é?

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