Para Lula, mensalão não terá peso para povo decidir voto


Ricardo Stuckert(Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação)

Ex-presidente que estará em Ribeirão Preto afirma que eleitores vão separar o processo eleitoral com o caso envolvendo o Supremo

07/02/2014 – 08:41
Ex-presidente Lula Lula defende escolha de Padilha para concorrer a cadeira de governador do Estado. 

A aposta do PT para o Palácio dos Bandeirantes, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, ganhou projeção com o “Mais Médicos”. Só este programa, ainda considerado polêmico, é suficiente para conquistar o eleitorado de São Paulo e quebrar a hegemonia de 20 anos do PSDB?
O Padilha não está sendo lançado candidato a governador apenas por causa do programa Mais Médicos, o Padilha está sendo lançado candidato a governador porque nós achamos que ele é um quadro altamente qualificado para governar o estado mais importante da federação. Ele é um político inteligente, um administrador competente e fez um bom trabalho no Ministério da Saúde. E é importante que todo mundo saiba que a saúde brasileira padece de uma deficiência causada pelo PSDB quando destruiu a CPMF que tirou ainda no meu governo praticamente R$ 50 bilhões por ano da saúde. E o Padilha não vai cuidar apenas da saúde em São Paulo, o Padilha vai cuidar do estado de São Paulo. Ele tem todas as possibilidades de ser o futuro governador do estado de São Paulo. Ele tem um conjunto de qualidades que permitiu que o PT o indicasse para ser candidato e esse conjunto de qualidades, o povo paulista vai ver durante toda campanha e permitir que o povo veja se vai ter confiança nele para dirigir o destino de São Paulo.

O senhor “bancou” Dilma e Haddad, dois técnicos que nunca tinham sido testados em urnas. Os dois tiveram sucesso graças ao seu apoio. Agora, o PT repete a receita com Padilha. O senhor vai ter fôlego para cuidar dele e de Dilma na mesma campanha? A baixa aprovação de Haddad e os ícones do PT condenados no processo do mensalão vão dificultar ainda mais este trabalho?
Eu estou tranquilo para afirmar ao povo de São Paulo que o companheiro Haddad será um grande prefeito. Não adianta julgá-lo apenas por um ano de crise, nós temos que julgá-lo pelos quatro anos de mandato. E o Haddad vai fazer muita coisa, como a Dilma tem feito pelo Brasil. Acho que se engana quem subestima o povo: ele sabe separar as coisas, o processo no Supremo e a disputa eleitoral.
O deputado estadual Edinho Silva, muito ligado ao senhor dentro do PT, vai fazer parte da coordenação da campanha de Dilma Rousseff. Ele já disse que prefere a articulação política, mas especula-se que fique com o posto de tesoureiro. Qual vai ser o papel dele na campanha? Aliás, com a morte de Celso Daniel, o senhor apadrinhou Palocci e o levou para o cenário nacional. Edinho seria o novo Palocci?
Eu penso que cada um tem a sua maneira de ser e de trabalhar. O papel que ele irá ter na campanha será o que a presidenta Dilma definir. O Edinho é um grande companheiro, e qualquer tarefa que ele assumir vai se dedicar e cumprir com muita competência, como fez como prefeito de Araraquara, no seu mandato de deputado e na presidência do PT de São Paulo.
Depois de Palocci, Ribeirão Preto não teve outra liderança petista forte. Existe alguma estratégia do partido para mudar este quadro?
O PT de Ribeirão Preto tem quadros políticos importantes, agora querer que nasça um Palocci a cada ano é impossível. Porque pessoas da competência política do Palocci não surgem a cada dia, a cada ano. Demora muito tempo para nascer. O que é importante é a gente saber que a região tem bons quadros, bons dirigentes do PT. E a estratégia do partido é continuar filiando pessoas e formando essas pessoas que os quadros vão aparecer.
A região de Ribeirão Preto é uma das principais produtoras do setor sucroalcooleiro do Estado. Em crise, usinas entraram com pedidos de recuperação judicial, reclamam da pequena margem de lucro e do alto custo de produção. Vale lembrar a política de preços artificial da Petrobrás, que manteve gasolina e etanol abaixo do custo de produção. Como seria possível corrigir adequadamente tal distorção?
A crise momentânea pela qual passa o setor sucroalcooleiro não diminui a importância que esse setor teve, tem e terá para a economia brasileira. O setor contribui de forma decisiva com a geração de energia limpa, garante que a gente tenha uma frota de carros flex-fuel, e vai crescer na medida em que os países implantarem o protocolo de Kioto, adotando medidas para reduzir a poluição. Torço para que essa crise momentânea termine logo, e o setor volte a crescer para produzir mais etanol, açúcar, emprego e renda e para que mais usinas sejam construídas no Brasil.
Como o senhor vê essas recentes manifestações pelo país, inclusive cLeiontrárias à Copa?
O Brasil é um país democrático e as pessoas têm o direito de se manifestar. A democracia não é um pacto de silêncio, é a sociedade em movimento lutando por novas conquistas. Em qualquer lugar do mundo as pessoas se manifestam quando tem Copa ou Olímpiadas e isso não vai impedir o Brasil de fazer a melhor Copa do Mundo.
O senhor vai voltar a disputar eleição?
Na política nunca podemos dizer que nunca. Não é a minha vontade, acredito que já dei minha contribuição para este país. Em 2018 não sei como estarão as circunstâncias políticas e que novos nomes irão surgir até lá. Eu espero que tenha muita gente competente para disputar as próximas eleições e que eu não precise participar.

Comentários