Mediterrâneo está a tornar-se um “cemitério”




Os sobreviventes chegaram na manhã de sábado ao porto de La Valetta MATTHEW MIRABELLI/AFP
Neste sábado de manhã ainda só tinham sido recuperados perto de 30 cadáveres mas há quem fale em 50 mortos, no naufrágio no estreito da Sicília.
O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, alertou que as águas europeias perto de África estão a transformar-se num autêntico “cemitério”, depois de mais um naufrágio de uma embarcação com cerca de 250 imigrantes a bordo, no estreito da Sicília, na sexta-feira ao final da tarde.

Citado pela BBC, o governante disse que o país se sente “abandonado” pelo resto da Europa, à qual pede que actue rapidamente. “Neste momento os políticos estão a pensar em apertar as regras da migração. Para nós, a maior preocupação são estas pessoas no mar”, afirmou.
“Sentimo-nos abandonados pela Europa. Não sei quantas mais pessoas precisam de morrer no mar até que algo seja feito. Vamos garantir que a nossa voz é ouvida durante o próximo Conselho Europeu. As regras têm de ser alteradas, não importa se são mais apertadas ou não, o facto é que as coisas não estão bem e têm de ser resolvidas”, disse Muscat.
As autoridades de Malta estiveram envolvidas, a par com as de Itália, numa operação de socorro para resgatar os ocupantes de um navio que naufragou ao final da tarde de ontem a cerca de 70 milhas da costa europeia, transportando imigrantes de nacionalidade eritreia e somali. O balanço inicial dava conta de 50 mortos – alguns jornais ingleses e italianos mantêm este número – mas na manhã deste sábado tinham sido recolhidos apenas 34 cadáveres, na sua maioria de mulheres e crianças, segundo a agência italiana Ansa. Um fonte militar maltesa citada pela AFP falava em 33 corpos.
Segundo a AFP, 143 imigrantes chegaram neste sábado de manhã à capital de Malta, Valeta. A terra chegaram também os corpos de quatro imigrantes – uma mulher, duas crianças e um recém-nascido.
Outros, que não conseguiriam aguentar as dez horas de viagem de barco até Malta devido ao seu estado de saúde frágil, foram levados de helicóptero até Lampedusa. Nove deles foram hospitalizados assim que chegaram à ilha, segundo a Ansa.
As autoridades começaram por responder a um pedido de SOS lançado por telefone satélite ainda em águas territoriais da Líbia, dando conta do naufrágio iminente de duas embarcações em borracha pneumática – uma com 101 e outra com 109 pessoas a bordo. Os imigrantes foram levados para o porto siciliano de Trapani por um navio de Malta.
Outros 118 imigrantes em risco foram recuperados por uma embarcação com pavilhão das Bahamas e conduzidos para Porto Empedocle, na Sicília. E finalmente, dois barcos com 65 e 110 indivíduos a bordo foram arrastados pela Marinha italiana até Siracusa, na costa leste daquele arquipélago.
Este naufrágio no estreito da Sicília ocorreu uma semana depois de uma das maiores tragédias marítimas da história recente ao largo de Lampedusa: um incêndio a bordo de um barco proveniente da capital da Líbia provocou a morte a mais de 300 imigrantes.

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