Em discurso a petistas, Lula 'lança' Padilha candidato ao governo de SP

Lideranças do partido, como Emidio de Souza, provável futuro presidente do diretório paulista, dizem que nome do ministro da saúde está consolidado dentro da legenda
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 28/09/2013 11:47, última modificação 28/09/2013 11:54

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Emidio de Souza, Lula e Alexandre Padilha, durante evento do diretório paulista do Partido dos Trabalhadores: consensos construídos

São Paulo – No evento de lançamento da candidatura do ex-prefeito de Osasco, Emidio de Souza, à presidência do PT no estado de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfez qualquer dúvida sobre quem será o candidato do partido ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Depois de todos os oradores anteriores disfarçarem sobre a provável candidatura do ministro da Saúde, Lula foi claro e direto: “Precisamos eleger o Padilha e reeleger a Dilma”, disse, ao referir-se ao atual ministro da Saúde.



No início de seu discurso, o ex-presidente chegou a manter o suspense. “Não posso falar de eleição porque já fui multado em R$ 20 mil. Portanto, Padilha, não vou falar em seu nome aqui hoje”, começou. Só no encerramento de sua fala veio a declaração que as mais de mil pessoas que lotaram a Casa de Portugal, no bairro da Liberdade (centro de São Paulo), esperavam em favor da pré-candidatura de Alexandre Padilha ao governo paulista.

Em coletiva à imprensa antes do ato político por sua candidatura, Emidio de Souza disse que não há divergência sobre o nome de Padilha para disputar o governo do estado. “O nome do Padilha está consolidado. Não vai ser anunciado (oficialmente) agora, mas é um consenso construído dentro do PT. Não há resistência a esse consenso, e queremos testar um nome novo na disputa de 2014 e achamos que Padilha é o melhor nome”, afirmou o ex-prefeito.

Apesar de tudo isso, Padilha preferiu não falar como o escolhido do partido para a disputa: "Não definimos quem vai ser o candidato". Segundo ele, antes de consolidar-se como concorrente ao governo paulista o PT deve "retomar o diálogo com os movimentos sociais e com a juventude" e disse que só chegará ao Bandeirantes "se puder contar com a força da militância."

Emidio
A candidatura do ex-prefeito de Osasco à presidência estadual do PT é considerada estratégica para o partido, que vê em Emidio de Souza um nome com capacidade para unificar a legenda e o de um articulador competente para ampliar a presença do partido no interior de São Paulo onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é eleitoralmente muito forte.

"Para ser presidente do maior partido de esquerda da América Latina no maior estado do Brasil, onde queremos ganhar, precisa de alguém com competência. Não estamos enfrentando qualquer um", discursou Lula dirigindo-se a Emidio.

Por sua vez, o próprio Emidio falou como virtual presidente eleito do diretório estadual e coordenador da campanha de Padilha nas eleições de 2014. "Vamos fazer um governo olhando para a frente, não pro retrovisor", prometeu.

Brasil
Lula destacou também o pronunciamento de Dilma na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira (24)., em que a presidenta repudiou a espionagem praticada pelos Estados Unidos contra o governo e empresas brasileiras. "Temos de estar orgulhosos do discurso que a Dilma fez em Nova York sobre a nossa soberania e o povo do Brasil", afirmou.

O ex-presidente citou matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual o Canadá e os Estados Unidos lavaram à Organização Mundial do Comércio (OMC) questionamentos sobre supostos subsídios do governo brasileiro ao pequeno agricultor e criticaram até o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que estaria sendo beneficiado com incentivos ilegais, segundo aqueles países. "As pessoas estão perdendo o bom senso. Com isso vemos o momento de insanidade que o mundo está vivendo", disse Lula.

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