Brasileiras encontram oportunidades de negócios na China

 O Brasil atrai capital produtivo e reforça a ponte tecnológica com a China  - La Iberofonía

2026-06-03 08:59:30丨portuguese.xinhuanet.com

Hangzhou, 3 jun (Xinhua) -- No dia 29 de maio, foi inaugurada a primeira edição do Dia Brasileiro em Hangzhou, na Província de Zhejiang, leste da China. Neste encontro para fortalecer conexões, compartilhar histórias e construir pontes entre Brasil e China por meio de negócios, cultura e inspiração, as empreendedoras brasileiras na China compartilharam suas trajetórias de empreendedorismo, liderança e experiências na China.

A China segue de portas abertas para quem quer trabalhar e empreender - e isso inclui, de forma cada vez mais evidente, as mulheres brasileiras. Para Daniela Sena, que vive na China desde 2010, Hangzhou é muito mais do que uma cidade pitoresca. Foi lá que ela estudou, abriu sua empresa e construiu sua vida.

Como organizadora do Dia Brasileiro, ela fez questão de realizar o evento na cidade. "Não havia chance de fazê-lo em outro lugar. Estudei aqui, comecei meu negócio aqui, então sinto que Hangzhou é como minha casa", afirmou à Xinhua.

Daniela Sena é fundadora da Continental Corporation, que fomenta a colaboração transfronteiriça em negócios, cultura e inovação, e criadora da Shia, uma comunidade de mulheres empreendedoras que hoje reúne mais de 3 mil membros de 65 nacionalidades. Para ela, os laços comerciais duradouros devem ter uma base cultural sólida. "A cultura é uma ponte muito importante entre os dois países. Quando falamos de cultura, falamos de música, comida, livros. Há muito o que aprender", disse ela.

Ela testemunhou a evolução da China ao longo de mais de uma década, destacando não apenas as mudanças físicas e tecnológicas, mas principalmente a transformação mental. "Quando cheguei, muitos chineses valorizavam produtos estrangeiros. Mas a nova geração tem muito orgulho do seu país e da sua cultura."

A empresária brasileira Caroline Zura administra uma empresa de artigos esportivos. Com formação em relações internacionais, ela se vê como uma "ponte" entre culturas e empresas. "Para mim, o primeiro passo nunca é o negócio, mas construir o relacionamento", disse. Ela visitou a Feira de Cantão em Guangzhou e uma feira de artigos esportivos (China Sport Show) em Xiamen, a fim de abrir novas portas para sua empresa na China. Após estas visitas, ela consolidou a opinião de que o futuro de sua companhia só pode se basear em uma sólida relação de importação e exportação entre o Brasil e a China.

Segundo a empresária, com esforço de ambos os lados, há muitas oportunidades em agropecuária, biotecnologia, infraestrutura, logística e comércio eletrônico no Brasil. Ela ressalta que os brasileiros precisam entender como a China chegou ao atual estágio: "Não foi instantâneo. Foi uma construção de 30 ou 40 anos. É importante falar sobre os planos quinquenais, toda a estrutura que promove esse desenvolvimento".

Marília Meneses, vice-cônsul e subchefe do Setor de Diplomacia Pública do Consulado-Geral do Brasil em Shanghai, destacou como o intercâmbio cultural aprofunda os laços Brasil-China e abre portas para os negócios. Como 2026 foi designado o Ano Cultural China-Brasil, Meneses vê a cultura como uma ponte poderosa para diminuir a distância geográfica entre as duas nações. Ela testemunhou uma mudança significativa no ambiente de negócios.

"O ambiente na China oferece as mesmas oportunidades para estrangeiros serem protagonistas como oferece para os cidadãos chineses", acrescentou.

Os dados destacam a confiança contínua dos investidores estrangeiros no mercado chinês. Em 2025, mais de oito mil empresas estrangeiras aumentaram seus investimentos na China, um crescimento de mais de 10% em relação ao ano anterior, enquanto mais de três mil empresas estrangeiras aumentaram seus investimentos nos primeiros quatro meses de 2026. O país promoverá um ambiente de negócios mais justo, transparente e não discriminatório, permitindo que todos os participantes do mercado, incluindo empresas estrangeiras, concorram em igualdade de condições.

Para as brasileiras que consideram vir para a China, Meneses enviou uma mensagem inequívoca: "A China está aberta a qualquer pessoa que realmente queira trabalhar duro e ter sucesso, e isso inclui absolutamente as mulheres. Está aberta àquelas mulheres que querem vir, fazer um bom trabalho, ser ativas e trazer boas ideias." 

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