Publicada originalmente na HISPANTV - 04/01/2026
O secretário de Estado dos EUA afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recusou reiteradamente abandonar o país ou aceitar asilo em um terceiro país.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu no sábado que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nunca esteve disposto a fugir do país, apesar das ameaças de Washington de intervir no país bolivariano e de ter colocado um preço por sua cabeça.
“Maduro teve múltiplas oportunidades para evitar [a intervenção]. Foram oferecidas a ele múltiplas propostas muito generosas, e ele decidiu ficar – e o resultado foi o que ocorreu esta noite”, disse Rubio em uma coletiva de imprensa sobre a operação militar estadunidense que culminou na madrugada de sábado com o sequestro do mandatário venezuelano e sua esposa, Cília Flores.
As declarações do diplomata norte-americano refutam os informes divulgados nos últimos meses por meios ocidentais e seus aliados, que afirmavam que Maduro teria solicitado aos Estados Unidos garantias para abandonar a Venezuela, assim como facilidades para transferir seus bens ao exterior. Segundo Rubio, essas versões não correspondem à realidade das conversas mantidas por canais indiretos, nas quais – afirmou – Maduro se recusou sistematicamente a aceitar qualquer cenário que implicasse sua saída do país.
A revelação de Rubio ocorre em um contexto de alta tensão política e midiática e descarta a narrativa previamente difundida sobre uma suposta disposição do presidente venezuelano em buscar refúgio fora de seu país.
The New York Times revela oferta de exílio dos EUA a Maduro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria oferecido em dezembro a Maduro um ultimato para abandonar a presidência e exilar-se na Turquia, segundo funcionários estadunidenses e venezuelanos citados neste domingo pelo jornal norte-americano The New York Times.
Após a recusa de Maduro, a Casa Branca decidiu executar suas ameaças militares, realizando uma ação armada em território venezuelano e uma operação em Caracas que culminou com o sequestro do chefe de Estado e de sua esposa. Ambos foram levados para Nova York, onde ficarão à disposição da justiça estadunidense para responder a acusações de suposto “narcotráfico”. Até o momento, não foi informado se a proposta de exílio na Turquia segue válida após a detenção e a transferência de Maduro para território norte-americano.
O jornal também relatou que, semanas antes da operação, funcionários de Washington haviam identificado a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, como uma opção aceitável para substituir o mandatário. Segundo as fontes citadas, intermediários garantiram à Casa Branca que Rodríguez teria prometido proteger futuros investimentos energéticos estadunidenses.
Recentemente, Trump declarou que estaria disposto a trabalhar com Rodríguez, ao considerar que a líder opositora María Corina Machado não possuía o “respeito” necessário para governar. No entanto, em uma mensagem televisionada no sábado, Rodríguez conclamou a “defender a Venezuela” e contradisse a versão de Trump de que estaria colaborando com os EUA, condenando o “sequestro ilegal e ilegítimo do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cília Flores” e exigindo sua libertação imediata.
Contexto da operação militar
No sábado, as forças dos EUA atacaram várias regiões da Venezuela e sequestraram Maduro e Flores. Durante essa operação, pelo menos 40 pessoas – civis e militares – perderam a vida. Após a agressão, Donald Trump declarou que assumirá o controle da Venezuela; enquanto isso, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, defendeu que a operação militar permitirá a Washington acessar a “riqueza e os recursos adicionais” do país bolivariano.
Após a detenção de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse interinamente a presidência. Em um discurso desde Caracas, a política chavista acusou os Estados Unidos de “sequestrar” Maduro e exigiu sua libertação imediata.
Diversos países do mundo, incluindo nações da região latino-americana, condenaram o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela.
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