terça-feira, 13 de novembro de 2018

Levy entra no governo Bolsonaro como merece: como um moleque. Por Fernando Brito

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POR FERNANDO BRITO · 12/11/2018

O sr. Joaquim Levy, coveiro do governo Dilma 2, apareceu, todo lampeiro, nos jornais, comemorando sua indicação como presidente do BNDES.
A alegria durou apenas algumas horas.
No site  BR-18, do Estadão, o presidente eleito já o enquadrou.
Disse que o aceitou por um crédito de confiança em Paulo Guedes e foi logo avisando: ““A caixa-preta [do BNDES] vai ser aberta na primeira semana! Não tenha dúvida disso. Se não abrir a caixa-preta, ele está fora, pô.”
O BNDES, a sigla indica, é um banco. Está, por isso, obrigado a regras de sigilo bancário definidas em leis e regulamentos do Banco Central.
O alvo, porém, é claro: criar factóides com os empréstimos fornecidos para a contratação de obras e serviços de empresas brasileiras no exterior.

A Bolsonaro pouco importa que tenham dado não apenas mercado ao Brasil como lucro ao banco.
Nem que o banco tenha um corpo técnico-profissional muito bem capacitado e remunerado para verificar a legalidade e a higidez de cada operação de crédito.
Devedores em atraso, se houver, devem ser cobrados de acordo com a praxe bancária, sejam quais forem, sob ena da perda de credibilidade do Banco. No caso de empréstimos internacionais, inclusive, em ação conjugada com o Itamaraty, para obter mercados.
Objetivo de banco, seja público ou privado, é receber o que emprestou e os juros.
Dificilmente haverá abertura de “caixa-preta” para os empréstimos fornecidos a gente como João Dória e Luciano Huck para comprarem jatinhos particulares, claro.
O Dr. Levy tem experiência com “caixas-pretas”. Afinal, foi secretário da Fazenda de Sérgio Cabral, embora nunca tenha sido instado a dizer nada sobre os bastidores das isenções fiscais que fizeram a fortuna (e a desgraça posterior) do ex-governador fluminense.
Mas uma “caixa-preta” ao menos está aberta.
O Sr. Levy não tem o menor pudor profissional em aceitar ser tratado como um moleque, na base do “se não abrir, tá fora”.
Com o “passa-moleque” recebido com antecedência de Bolsonaro, tivesse o sr. Levy um pingo de dignidade como gestor bancário, estaria agora recolocando os objetos que já tinha retirado das gavetas da diretoria que agora ocupa no Banco Mundial.
Mas não tem.
Tanto que vai assumir o BNDES com uma missão sinistra: abrir caminho para sua liquidação.
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