segunda-feira, 12 de junho de 2017

Prensa Latina: Bob Dylan e o Nobel, até a aceitação intriga

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Havana, 11 jun (PL) Tanto custou-lhe ao músico estadunidense Bob Dylan admitir o Prêmio Nobel de Literatura 2016 que a entrega de seu discurso de aceitação veio quase oito meses depois da nomeação e somou dúvidas ao questionado prêmio.

Sob julgamento de milhares de seguidores, o mito vivente de 76 anos de idade nunca imaginou conquistar o lauro e já tinha o Polar Music Prize, uma espécie de Prêmio Nobel da Música, de modo que o anúncio da concessão em outubro passado pela Academia Sueca surpreendeu até aos fãs do artista.

Não poucos especularam que o artista recusaria e ele mesmo guardou silêncio durante dias, inclusive em seus concertos, quando os admiradores lhe diziam em coro: Nobel, Nobel, como um coral.

Na listagem de galardões do ícone figuram desde 2007 e 2008, o Príncipe de Astúrias das Artes e o Pulitzer, respectivamente, além de um Balão de Ouro e um Oscar por sua canção Things Have Changed, para o filme Jovens Prodigiosos.

Segundo a Academia Sueca, Dylan criou uma nova expressão poética dentro da grande tradição americana da canção.

Esse foi o argumento empregado para justificar a concessão do Nobel pela primeira vez a um músico, no entanto, o artista não participou na gala de entrega do reconhecimento, em dezembro passado, pois alegou textualmente 'outros compromissos'.

Quatro meses depois, viajou a Estocolmo porque sua velha agenda de trabalho incluía oferecer ali dois concertos e ao descer do avião a Academia Sueca montou uma pequena cerimônia privada para finalmente dar-lhe o diploma e a medalha de Nobel.

Só ficava pendente a entrega do discurso de aceitação, um requisito necessário para receber a dotação econômica do prêmio. E vamos, que todos sabemos que não lhe faz falta, mas... pobre os idólatras.

Pese a sucessivos desmarcações à instituição do Nobel, ao enviar seu texto de aceitação, dois dias antes de que expirasse o prazo, o cantor poderá pedir os 819 mil euros correspondentes.

Ninguém sabe se algum dia explicará por que tanto teatro, ou se develará alguma situação financeira, ou se por estratégia de marketing aproveitou a conjuntura para acrescentar sua popularidade na imprensa e os ganhos.

Verdadeiro que se o tivesse aceitado no prazo normal, como o resto dos galardoados, nunca teria sido notícia. A cobrança tivesse passado inadvertida, como parte de uma convenção natural.

No discurso de sete páginas, o veterano artista reflexionou sobre a relação entre suas canções e a literatura, da qual elegeu expor frases de Dom Quixote, Moby Dick, A odisseia, Platão, Sócrates e John Donne, entre várias obras e autores.

Nenhuma das dúvidas que rondaram durante meses ficou respondida e, como todo mundo sabe, os vínculos de Robert Allen Zimmerman com a literatura são mais que evidentes, pois o mundo o conhece com um nome inspirado pelo poeta Dylan Thomas.

Na opinião de especialistas, o artista combinou a música rock com composições complexas e literárias influídas pela imaginario surrealista.

As letras de suas canções chegaram a apreciar-se como poesia e muitos o identificam como a voz de uma geração, devido a suas composições da década de 1960 que transmitiram o espírito hippie, antibelicista e rebelde com a ordem social pre-establecida na época.

O autor de Blowing In The Wind e Like A Rolling Stone, pora só mencionar dois de seus hinos, se tornou símbolo do folk rock estadunidense, ainda que não deve ser encerrado dentro dessa tendência.

Dylan não deixou de gravar discos até o presente. Em maio de 2016, produziu ele mesmo seu álbum de estudo número 37 com o título de Falhem Angels, fonograma antecedido pelo exitoso Shadows in the Night (2015), que igualmente dá conta da vitalidade do prodígio.

rc/msm/cc

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