segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Moon of Alabama: Indignação contra Trump expõe hipocrisia 'líbral'

30/1/2017, Moon of Alabama
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A indignação "líbral" contra as políticas anunciadas por Trump é de certo modo cômica. Claro que as políticas são ruins, são péssimas. Trump é péssimo. Mas Obama também era péssimo, e da Clinton, essa, então, nem se fala: super péssima. Protestar contra as políticas de um, sem ter protestado quando o outro implementou as mesmas políticas que o um implementa hoje, é arrogância, é falsidade, é querer fazer-se passar pelo que não se é.

Olhe-se pelo ângulo que for, e as políticas de Trump só fazem ampliar ou, no mínimo, simplesmente repetir, políticas de Obama. Os indignados, militantes dessa indignação mais teatral que se vê hoje na TV, sempre engoliram as mesmas propostas, sem uma palavra de protesto.

Ontem, uma ordem executiva de Trump implantou um banimento temporário de portadores de vistos e suspendeu a concessão de vistos a cidadãos de sete países do Oriente Médio: Iraque, Síria, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen. A única coisa que esses países têm em comum é que nenhum dos terroristas que mataram em território dos EUA saiu de algum deles. Os (poucos) terroristas que atacaram dentro dos EUA vieram todos de países do Oriente Médio que não estão nessa lista. Imediatamente depois da ordem de Trump, as mídias sociais e vários jornais puseram-se aos gritos. Gente acorreu aos aeroportos para protestar. As redes de TV lá estavam para 'noticiar' incansavelmente.

Mas não há novidade alguma em cidadãos daqueles países serem alvo de restrições para concessão de vistos, por autoridades dos EUA. Obama implantou essas restrições em 2015 e 2016. A ordem que Trump assinou cita especificamente as leis anteriores. Não nomeia nenhum país. Na verdade o que lá se lê, como alvos das restrições é: "os países designados na Divisão O, Título II, Seção 203 da lei de apropriações já consolidada de 2016 [orig. do the 2016 consolidated appropriations act]."

Mas as restrições dos EUA contra esses países são ainda mais antigas. Segundo o ex-general Clark, fizeram-se planos para fazer guerra contra exatamente os seis países agora listados, já em 2001. Depois o Iêmen foi acrescentado; e o Líbano foi (talvez temporariamente) excluído da lista. Os governos mudam, mas os "inimigos" seletos continuam os mesmos.

Em 2011 Obama parou de processar pedidos de vistos para iraquianos por seis meses. Foi movimento muito semelhante ao de Trump hoje. Alguém ouviu os protestos dos indignados esbulhados em 2001? E em 2011, 2015 e 2016? Só é obsceno quando Trump restringe visitas de alguns seres humanos, vindos de alguns países?

Sim, Trump introduziu suas próprias medidas "ultrajantes" aos gritos e abruptamente. Obama as infiltrou por baixo do tapete e pelos cantos sujos. Mas, até aí, só mudou o marketing. O produto é o mesmo.

É a moeda que não presta, não o cara ou a coroa.
Hoje cedo, a CNN 'noticiava' em manchetes: Casa Branca cogita de exigir informações das mídias sociais e contatos dos celulares, de visitantes estrangeiros. QUE INDIGNO! QUE ULTRAJANTE! Como pode Trump pensar em tal invasão de privacidade?! Indignação fake. – Obama já oficializou tudo isso. Os planos para exigir as contas nas mídias sociais, de visitantes estrangeiros já são lei, assinada por Obamaoutubro de 2016 e a implementação começou em dezembro de 2016. A Casa Branca de Trump chegou atrasada para discutir a questão.

Ontem, Trump também emitiu um memorando para estruturar seu Conselho de Segurança Nacional [ing. National Security Council]. O memorando diz que o Diretor da Inteligência Nacional e o comandante do Alto Comando do Estado-maior das Forças Conjuntas dos EUA" devem participar" [ing. "shall attend" quando pertinente à questão que estiver sendo discutida. Pronto! Outra vez, a mais indignada indignação "líbral". Trump excluiu o Diretor da Inteligência Nacional e o Alto Comando do Estado-maior das Forças Conjuntas dos EUA... do Conselho de Segurança Nacional! E o primeiro secretário da Defesa de Obama declara que foi "erro imenso"! 


Mas se se comparam o texto que Trump distribuiu e o texto que Obama distribuiu ao chegar à presidência, vê-se que são praticamente idênticos. Pouca coisa mudou. A cláusula do "devem participar" é exatamente idêntica.

Ontem havia gente outra vez protestando nos aeroportos contra as restrições temporárias de Trump sobre imigrantes. As mídias sociais gotejam indignação contra Trump, por causa disse e de outras questões. A hipocrisia fede aos céus

Onde estão os protestos contra a Lei Patriótica? A exigir que seja imediatamente revogada? Onde estão os protestos antiguerra? Morreram todos, no dia em que Obama chegou à presidência. Nunca mais voltaram à vida, apesar de Obama ter vivido de políticas que, no máximo, são políticas Republicanas light e muito distantes de qualquer ideal progressista. Só liberais fake – que chamo de "líbrals" – poderiam algum dia aceitá-las. 

Quando você escolhe Dick Cheney como testemunha a seu favor contra Trump, você já perdeu o pé, a noção e o rumo.

Muitos dos que hoje saem às ruas contra Trump provavelmente festejariam, se Hil-liar(mentirosa)y Clinton tivesse sido eleita e assinasse precisamente as mesma políticas. Nunca viria à mente daqueles protestadores que o sistema incorporado em Trump também está incorporado em Clinton. Por que supõem que devessem ser levados a sério?

Não se observa nenhuma indignação hoje, de nenhum dos "líbrals" norte-americanos e seus veículos, contra os ataques aéreos (fracassados) de militares dos EUA ontem à noite, no Iêmen. A casa rural da família de um líder tribal, amigo de alguns membros iemenitas da al-Qaeda, foi atacada por um comando de Operações Especiais dos EUA. Um helicóptero militar de três rotores dos EUA foi derrubado durante o raid. Um soldado norte-americano foi morto e vários foram feridos. Os comandos norte-americanos reagiram com o pânico de sempre. Mataram todos que viram pela frente e bombardearam além da loucura tudo que havia acima no nível do chão. Segundo fontes iemenitas foram mortos algo entre 30 e 57 iemenitas, dentre os quais oito mulheres e oito crianças (imagens horrendas). Os militares norte-americanos disseram, como sempre dizem, que nenhum civil foi ferido no raid.

Uma das crianças assassinadas era a filha de oito anos de um propagandista da al-Qaeda, Anwar al-Awlaki. (A família atacada é aparentada com a esposa de al-Awlaki.) A menina era cidadã norte-americana. Na presidência de Obama, a CIA já assassinou o pai dela e um de seus irmãos, de 16 anos. Com a ativa ajuda de Obama, os países do Golfo só fazem bombardear e destruir o Iêmen já há quase dois anos. Não se viram manifestações de cidadãos norte-americanos contra essas mortes ou essa guerra.

Fontes iemenitas dizem que pelo menos dois homens foram sequestrados pelos militares norte-americanos. O press-release do Comando Central só dizia que o raid ajudou a "obter inteligência" sobre possíveis atos de terror. Supõe-se que signifique os prisioneiros serão torturados para oferecer a tal "inteligência", mesmo que não saibam de coisa alguma. O governo Obama introduziu novas regras para os militares sobre 'manejo' de prisioneiros. A ONU sentenciou que a aplicação de algumas daquelas regras configura tortura. Os "líbrals" mostrar-se-ão sem dúvida indignadíssimos, no caso de alguma daquelas regras que Obama criou e transformou em tortura legal, ser usada durante o governo Trump.

A indignação hipócrita contra Trump, por coisas que Obama sempre fez é precisamente o que Trump quer e do que mais carece. Assim, ele continua a 'demonstrar' que a mídia e os clintonistas não valem nada. A impressão que deixa, não só aos seus seguidores, é de que seja homem que trabalha muito. 25 shows de indignação, para 25 manchetes, só numa semana?! "Impressionante! Muito mais do que Obama jamais conseguiu!"

Trump já é candidato à reeleição. Quem quiser realmente derrotá-lo, terá de atacá-lo em questões fundamentais. Aí está um problema sério para os "líbrals". Obama e Clinton defendem as mesmas políticas terríveis que Trump hoje repete. Não são de muito barulho, como Trump, e pintam a sujeira com cores mais suaves. Mas a diferença só vai até aí.

Os EUA, como muitos outros países "ocidentais", precisam de políticas fundamentalmente diferentes, para virem a ser sociedade mais justa e mais igualitária. A barulheira que os "líbrals" fazem hoje desperdiça energia, sem dar um passo, que seja, em melhor direção.*****

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