domingo, 29 de janeiro de 2017

Eliseu Padilha, prodigioso e polivalente. Por Jeferson Miola

Valter Campanato/Agência Brasil
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Eliseu Padilha, o "Primo" das planilhas de propinas da Odebrecht, é um político prodigioso e polivalente. As evidências da fortuna que possui indicam que ele conhece como poucos a arte da multiplicação do dinheiro. Ouve-se dizer que desse predicado nasceu seu outro apelido, de "Eliseu Quadrilha", que o acompanhou quando foi ministro do FHC e que caiu em desuso, embora não faltem motivos para reabilitar a alcunha.

O Estadão de hoje, num raro exercício de jornalismo desse veículo tucano golpista, traz reportagem na qual um procurador de justiça do Mato Grosso [MT] acusa o governador tucano Pedro Taques de colocar a procuradoria-geral do Estado a serviço dos interesses particulares do Padilha. Trocando em miúdos: a mesma coisa que Geddel, Temer e Padilha fizeram para operar os interesses imobiliários do Geddel na Bahia.
Esse filme é bem conhecido: a oligarquia golpista, sobretudo os tucanos, aparelha e controla as instituições de Estado – as polícias, o ministério público e o judiciário – para aniquilar inimigos políticos e traficar os interesses da sua turba.

O procurador-geral do MT em exercício, Luiz Scaloppe, acusa o "Primo" de grilagem de terras no Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, onde uma das empresas do "Primo" cometeu os crimes de desmatamento, pecuária irregular e alojamento dos trabalhadores rurais em condições degradantes. Por esses crimes, o "Primo" e sócios tiveram R$ 180 milhões bloqueados por ordem judicial. Como o "Primo" amealhou tamanha fortuna, daria um livro de receitas do gênero "como ficar rico na política".

Padilha é polivalente: além de conspirador integrante da santidade formada pelo "caranguejo" Cunha, o "MT" Temer, o "suíno" Geddel e o "angorá" Moreira, ele coleciona uma infinidade de atributos: [1] grileiro de terras no mesmo Estado onde Joaquim Barbosa disse que Gilmar Mendes tem jagunços; [2] usucapião [sic] de quase 2 mil hectares de terras em Palmares do Sul; [3] arrendador de latifúndios de terras para empresas de geração eólica; [4] investidor-empresário bem sucedido do ramo imobiliário; [5] advogado e consultor jurídico colecionador de obras de arte; [6] aposentado desde os 53 anos como deputado com salário de 20 mil reais; [7] traíra da Presidente Dilma; [8] vice-campeão em citações nas delações da Odebrecht e, por isso mesmo, [9] ministro da Casa Civil do usurpador Michel Temer.
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