PML: Derrotados no STF vão jogar na ilegalidade?

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Por Paulo Moreira Leite - 21 de Setembro de 2015

Convém prestar atenção à postura dos adversários da ADI 4650, que proíbe  doações eleitorais de pessoas jurídicas.

 Inconformados com a derrota por 8 votos a 3 no Supremo, que extingue um privilégio assegurado pela legislação em vigor até aqui -- alugar partidos e candidatos políticos para executar seus interesses a frente do Estado -- eles nem esperaram pela publicação dos acórdãos para ameaçar chamar Alberto Yousseff e sua turma de doleiros de volta e já anunciou o retorno do Caixa 2.

Explico.


Em situações normais, as empresas  deveriam usar os recursos disponíveis em seus cofres na distribuição de benefícios aos trabalhadores, em novos investimentos, em inovações tecnológicas e assim por diante. Mas não é assim no Brasil de nosso tempo, de mandatos a peso de ouro e dólar.

Nossos capitalistas praticam a acumulação política: retiram recursos de sua empresas para reforçar o  cacife junto ao poder de Estado, esterilizando o poder real da maioria dos eleitores.

E, embora sejam capazes de se colocar na posição de vítimas quando fazem delações premiadas para o juiz Sérgio Moro, e até fazer olhares de escândalo quando os acusados são seus adversários políticos, que planejam exterminar de nossa vida política, a reação diante da aprovação ADI 2650  mostra que não querem abrir  mão di$$o.

Não querem disputar uma eleição onde 1 homem = 1 voto como disse Ricardo Lewandowski ao defender a ADI 4650. 

Não suportam uma disputa menos desigual, onde ideias, coerência, carisma, sei lá, podem ter mais importância de que o dinheiro.

Querem seguir na posição de homens que valem 1 bilhão de reais.

Nos últimos anos, isso lhes permitiu, através do dinheiro, dar o mesmo tom  à política, esterilizar o debate, nivelar os partidos por baixo e amenizar os conflitos. Não é sempre que que todos os partidos têm ideias semelhantes. Há diferenças, muitas vezes. O problema é que todos acabam atrelados aos mesmos interesses e aí as diferenças, com frequência, se limitam ao supérfluo.

 Este é o ponto em debate agora, quando se fala que a ACI 4650 irá estimular o caixa 2. Por favor. O caixa 2 é e sempre foi estimulado por quem tinha grandes interesses para esconder, longe dos impostos, ao arrepio da lei, em prejuízo dos brasileiros que necessitam dos serviços públicos. É obra para gente grande.

 Ao falar na volta do Caixa 2, o recado político é claro.

Não é uma "análise" sobre oportunidades e riscos criados por uma mudança na legislação. É só um aviso. Já que não é possível manter seus privilégios como antes, a partir de agora farão a mesma coisa -- na clandestinidade.

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